Qual é a dose?

Documentário produzido em 2019 aborda a luta de famílias para tratar seus filhos com autismo usando maconha medicinal

Produção e edição:  Singular Comunicação (Karollyna Basques, Suéllen Laureano, Thalia Lima e Vilmar Ramos)

Orientação: Profs. Igor Savenhago e José Augusto Reis

Foto acima: Divulgação

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em seu levantamento mais recente, existiam 80 milhões de autistas no mundo em 2008, sendo 2 milhões no Brasil. Geralmente, o tratamento inicial não é medicamentoso, mas com terapias ocupacionais e apoio de fonoaudiólogos. Em casos severos, porém, podem ser necessários remédios que controlam, apenas, quadros de irritabilidade, não promovendo evolução nas condições da pessoa, tendo em vista que as drogas são as mesmas direcionadas ao tratamento de esquizofrenia.

Esse cenário começou a mudar com a descoberta dos efeitos da maconha medicinal. A Cannabis sativa – nome científico da planta – possui, segundo uma gama de pesquisadores, características semelhantes aos remédios, mas com efeitos colaterais praticamente nulos e benefícios podendo ser observados em curto espaço de tempo.

A produção do óleo de maconha, que tem o princípio ativo canabidiol, no entanto, carece de regulamentação no Brasil. E as famílias ainda enfrentam três tipos de situações para conseguir o produto legalmente: o mercado de remédios de alto custo importados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tentar na Justiça um salvo conduto, que é uma autorização para cultivar maconha em casa, ou recorrer a associações que tenham autorização do Governo Federal para fazer a venda.

Todas essas opções exigem um laudo que prove o autismo e uma prescrição médica do canabidiol, o que dificilmente é obtido, já que muitos profissionais ainda não reconhecem esse tipo de tratamento. Diante das negativas, os pais se veem obrigados a adquirir o óleo com vendedores clandestinos.