Drones entregadores

Empresa de Franca-SP desenvolve projeto para levar alimentos e remédios a propriedades rurais de difícil acesso a áreas urbanas

Eudis Silva

Foto acima: A SMX tem, como proposta, oferecer o sistema não exclusivamente de forma comercial, mas como um apoio (André Alves e Eduardo Yamanaka/Nectar Audiovisual)

Uma empresa de Franca-SP realizou a primeira entrega utilizando um veículo remoto no Brasil. A SMX System, fundada pelo empresário Samuel Salomão, lançou, recentemente, um projeto para levar produtos, como alimentos e remédios, por drones. O primeiro teste foi feito em agosto de 2018, em Rifaina, município vizinho a Franca, onde a empresa está ampliando o projeto, desenvolvendo soluções para veículos aéreos não tripulados.

No primeiro teste, foi usado o modelo SMX-DLV-1, que tem capacidade para carregar até 2 kg voando em velocidade superior a 30 km/h. A entrega foi de produtos farmacêuticos. A SMX tem, como proposta, oferecer o sistema não exclusivamente de forma comercial, mas para acessar áreas de difícil acesso, principalmente em situações de emergência.

Rifaina está localizada às margens do Rio Grande. Segundo Salomão, os testes foram iniciados lá para que se pudesse levar os produtos a propriedades rurais que ficam do outro lado do rio, evitando que os moradores o atravessem sempre que surge a necessidade de uma compra. Em alguns casos, a navegação precisa ser de mais de um quilômetro até o município. E, além do rio, estradas de terra dificultam o processo de travessia.

Só nos primeiros quatro meses de 2019, a ANAC autorizou que 92.805 drones entrassem em operação no país para uso profissional (Foto: André Alves e Eduardo Yamanaka/Nectar Audiovisual)

A ideia 

Salomão nasceu em Franca e viveu quatro dos últimos anos em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos. A cidade americana é conhecida por ser um polo de desenvolvimento de alta tecnologia. Lá, Samuel trabalhou criando programas de computador para empresas médicas que realizam atendimento à distância, via internet. E percebeu a dificuldade de alguns pacientes em conseguir atendimento.

“A gente via, muitas vezes, que o médico prescrevia o medicamento, mas o paciente que morava distante do hospital, para ter acesso a esse remédio, precisava pegar seu carro e percorrer uma distância de 30 minutos ou até mais”, afirma o empresário.

Ele começou, então, a pensar no uso de drones para fazer as entregas. Em novembro de 2017, passou a estudar esse mercado, buscando entender como o transporte poderia ser feito. Percebeu que nenhum empreendedor havia se atentado para isso na América Latina. Com a ideia bem aceita nos Estados Unidos, decidiu abrir a própria empresa no Brasil. Surgiu, assim, SMX System.

Ele não acredita, no entanto, que veremos, em breve, vários drones cruzando os céus para entregar encomendas nas casas. Acha muito difícil isso acontecer no Brasil, pelas características culturais do país. Explica que é mais provável que se crie uma “malha aérea”, estabelecendo locais como se fossem helipontos para que as pessoas possam retirar seus produtos. Os voos seguiriam rotas pré-estabelecidas.

“A ideia é utilizar o veículo aéreo como uma forma de agilizar o processo de logística. A pessoa que gasta cerca de uma hora para ir à cidade buscar a encomenda passaria a gastar, por exemplo, uns 15 minutos.”

Empresa francana testa parceria com IFood para transportar alimentos a partir do Shopping Iguatemi, na região de Campinas (André Alves e Eduardo Yamanaka/Nectar Audiovisual)

Parceria

Em agosto do ano passado, o IFood, aplicativo de entrega de comida, anunciou um projeto, em parceria com a SMX, para transportar pedidos. A operação começou em Campinas, da seguinte forma: o drone coleta o pedido no Shopping Iguatemi e o leva até um centro de expedição, o IFood Hub. De lá, elas seguem a segunda parte do trajeto por moto, bicicleta ou bicicleta elétrica.

Conforme Samuel, a SMX busca certificar todo o seu sistema junto à ANAC, para que as operações comerciais possam ser autorizadas. O empresário acredita que isso deve sair agora, no início de 2020. “Com o aprimoramento da tecnologia, o projeto pode ser ampliado para os grandes centros, mas seguindo a mesma ideia de pontos locais, onde a pessoa retiraria sua encomenda.”