Pesca sustentável

Longe do litoral, empresa de São Simão, no interior de São Paulo, investe em tanques para a criação de camarões marinhos

Thaís Fonseca

Foto acima: Fazenda tem 25 tanques: valor investido no negócio foi de R$ 5 milhões (Divulgação)

A pesca e produção de camarões são atividades econômicas relevantes devido ao alto valor comercial e ao aumento da demanda, já que a quantidade de consumidores do crustáceo está em crescimento no Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), houve uma alta de aproximadamente 18% na produção em 2018 em relação ao ano anterior, gerando uma receita de R$ 3 bilhões para a indústria. A previsão é que, em 2020, esse número duplique.

Pensando nisso, dois empresários decidiram construir tanques para a criação de camarões em São Simão, interior de São Paulo. Eles reproduzem o ambiente marinho, com todas as condições para o desenvolvimento do animal, algo pioneiro no Estado de São Paulo. Júlio César Siqueira Tarlá e Bernardo Tarlá, pai e filho, que trabalhavam com construção civil e distribuição de máquinas de café, montaram os tanques para ampliar e diversificar os negócios que já tinham, baseando-se na ideia de inovação.

O valor investido no negócio foi de R$ 5 milhões. A construção dos tanques, que são escavados, revestidos com uma geomembrana, para que não haja contato com a terra e com impurezas do ambiente, demorou um ano. São 25 no total, situados numa área de 5,5 alqueires. Os camarões vêm do Nordeste e são colocados em água proveniente de um poço artesiano, acrescida de todos os elementos químicos presentes na água do mar. “O grande diferencial é o controle diário da qualidade da água e a ausência de contato com impurezas”, diz Júlio.

A espécie dos camarões cultivados é a Litopenaeus vannamei (Camarão-branco-do-pacífico). Eles chegam em pós-larvas, com dez dias de vida. São aclimatados e colocados nos tanques berçários por um mês, sendo posteriormente transferidas para tanques maiores. Nesses, eles permanecem por mais dois meses. Após esse período, é feita a despesca, com os camarões pesando de 10 a 12 gramas.

Ambiente e clima quente da região facilitam manutenção da temperatura da água (Divulgação)

A quantidade de camarões nos tanques é de, aproximadamente, quatro toneladas e, para manter a produção, é necessária uma quantidade considerável de trabalhadores envolvidos. No momento, a empresa conta com 15 funcionários.

Diferencial

Segundo Júlio, a vantagem principal está na produtividade. “São criados camarões por metro quadrado de lâmina d’agua, onde produzimos, num espaço pequeno, uma quantidade muito maior se comparada aos grandes tanques do Nordeste”. Na empresa, há dois tipos de tanques em que são distribuídos os camarões, em formatos circulares e retangulares. O formato circular é para o primeiro mês de vida. Os retangulares, para as outras etapas.

Mesmo longe do litoral, o ambiente e o clima quente da região de Ribeirão Preto contribuem para um bom desempenho. Os tanques ficam em estufas tecnológicas com a temperatura da água em torno de 32 graus. Os camarões se alimentam de rações e de micro-organismos que ficam na própria água.

Pensando no meio ambiente e num desenvolvimento sustentável da ideia, Júlio afirma que “a utilização de água é muito pequena e todos os resíduos são processados em composteiras e revendidos como adubo para empresas de jardinagem”. A água do poço depositada nos tanques é coletada e preparada legalmente, sendo também purificada e reutilizada após o processo de despesca. Todos os equipamentos e máquinas são construídos para evitar o contato humano com os camarões, condição importante para gerar um ambiente com qualidade de vida para o crustáceo.

Sobre negócios futuros envolvendo os tanques, os empresários não pretendem trabalhar com peixes, mariscos ou outros tipos de crustáceos. A meta principal é focar nos camarões para atender à comunidade local, com a meta de dobrar o volume de produção para este ano de 2020.

Espécie criada é o Camarão-branco-do-pacífico, vendido entre 10 e 12 gramas (Banco de imagens)