Campo digital

Agricultores aderem a novas tecnologias, mas faltam ainda equipamentos mais avançados e aplicativos de gestão e monitoramento 

Heloísa Taveira

Foto acima: Maioria aproveita as redes sociais para divulgar informações da propriedade, comprar insumos ou vender a produção (Banco de imagens)

Uma pesquisa realizada por meio de parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou que 84% dos agricultores do Brasil utilizam pelo menos uma tecnologia digital na produção. Os dados foram obtidos graças à participação de 504 agricultores de todos os estados do país, que responderam a um questionário online entre abril e junho deste ano.

A grande maioria dos agricultores utiliza pelo menos a internet para atividades gerais do campo, como buscar mais conhecimento sobre agricultura, ou aproveita as redes sociais para divulgar informações relacionadas à propriedade, comprar insumos ou vender a produção. Casos nos quais são utilizados equipamentos mais avançados ou aplicativos para gestão e monitoramento da propriedade são menos apontados pelos agricultores.

O pesquisador da Embrapa e coordenador do estudo, Édson Bolfe, afirma que as principais tecnologias digitais para o campo já estão se tornando acessíveis para os diferentes níveis tecnológicos dos produtores rurais. “Eles relatam que ainda possuem dificuldades importantes para implantar ou melhorar seu processo produtivo com a agricultura digital. Os principais desafios estão associados ao valor do investimento para a aquisição de máquinas, equipamentos ou aplicativos, apontados por 67% deles, e os problemas ou falta de conexão em áreas rurais, indicados por 48%”. Edson completa afirmando que seria fundamental o apoio do setor público, cooperativas e associações nas tomadas de decisão dos produtores, com foco na aquisição de tais tecnologias. “No entanto, já existem diversos aplicativos e softwares gratuitos”.

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Cerca de 95% do total dos agricultores que responderam a pesquisa indicaram ter interesse em receber mais informações e capacitações sobre a agricultura digital e suas aplicações. A maioria dos entrevistados apontou que, além da necessidade cada vez maior do uso das tecnologias para a obtenção de informações para o planejamento e a gestão da propriedade rural, gostaria de ter mais acesso a tecnologias para mapeamento e planejamento do uso da terra na sua propriedade, para a detecção e controle de deficiências nutricionais e para a compra e venda de insumos, produtos e produção.

“Os produtores rurais destacaram na pesquisa que, a partir do uso das tecnologias digitais, tiveram ganhos potenciais, como o aumento da produtividade; maior eficiência da mão de obra; maior qualidade da produção e redução do impacto ambiental”, explica Bolfe. “Outra vantagem percebida foi a otimização no uso de insumos agrícolas e recursos naturais. Já o melhor planejamento das atividades diárias, a redução de custos e aumento do lucro, a compra de insumos e comercialização dos produtos foram benefícios vinculados, especialmente, ao uso de aplicativos e serviços da web”.

João Carvalho é um dos agricultores que acreditam no poder das ferramentas digitais no campo. Trabalha com o cultivo de café há 12 anos em uma propriedade na região de Franca, interior de São Paulo, e acompanha o avanço do mercado conforme as condições financeiras. “Divulgamos o nosso café através das redes sociais e essa é uma forma de chegar diretamente ao consumidor. O retorno que temos fazendo esse contato com clientes e fornecedores facilita muito”.

Não só as redes sociais. Carvalho também utiliza aplicativos para gestão da propriedade e da produção, apontados por 23% dos agricultores. “Com os programas, consigo ter controle de toda a área e planejar melhor as atividades. Tem vários outros benefícios que me possibilitam saber as condições climáticas e detectar pragas”.