{"id":993,"date":"2019-11-22T17:46:45","date_gmt":"2019-11-22T17:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=993"},"modified":"2020-06-15T18:50:14","modified_gmt":"2020-06-15T18:50:14","slug":"unesp-nao-sai-de-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=993","title":{"rendered":"Unesp fica em Franca"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00c9 isso o que garante o diretor da faculdade, Murilo Gaspardo, nessa entrevista concedida de forma exclusiva ao Agenda Sette<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Pedro Klein<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Para Murilo, o programa Future-se, do Governo Federal, \u00e9 ruim por apostar que o \u00fanico modelo de financiamento poss\u00edvel para a universidade \u00e9 o privado (Divulga\u00e7\u00e3o: IEA\/USP)<\/strong><\/p>\n<p>Murilo Gaspardo \u00e9 natural de Jaboticabal. Se formou em Direito 2005 e tem mestrado e doutorado. Todos pela USP. Tamb\u00e9m em 2005, tomou posse como o vereador mais jovem de Jaboticabal, cargo que exerceu por dois mandatos, at\u00e9 2012.<\/p>\n<p>Em 2014, ingressou na Unesp de Franca como professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Teoria do Estado. Quatro anos depois, foi eleito pelos funcion\u00e1rios, professores e alunos como diretor da faculdade, posi\u00e7\u00e3o que exercer\u00e1 at\u00e9 2022.<\/p>\n<p>Nessa entrevista, conversamos sobre a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a necessidade de estabelecer rela\u00e7\u00f5es com a comunidade local e seus projetos para a gest\u00e3o. Gaspardo nos recebeu em seu gabinete na faculdade na tarde de 29 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o futuro da educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria p\u00fablica? O modelo chegou ao seu limite? O que as universidades podem fazer para reverter a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O modelo atual de educa\u00e7\u00e3o superior gratuita e custeada, predominantemente, com recursos p\u00fablicos n\u00e3o chegou ao limite. Pa\u00edses chamados de ponta mundo a fora, em termos de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico, continuam a fazer importantes investimentos p\u00fablicos na educa\u00e7\u00e3o superior e na pesquisa. A pesquisa no Brasil se concentra nas universidades p\u00fablicas, n\u00e3o que elas n\u00e3o ocorram tamb\u00e9m em particulares. \u00c9 obvio que mudou, e mudan\u00e7as precisam acontecer, mas eu n\u00e3o concentraria essa discuss\u00e3o em torno do debate fiscal, do financiamento. Eu penso que que ele deva ser no sentido de uma maior abertura das universidades para sua interlocu\u00e7\u00e3o com a sociedade, mantendo as pesquisas b\u00e1sicas, mas com uma abertura maior dos resultados. Tanto em termos de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico, como em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas, o que j\u00e1 acontece em grande medida, mas que poderia ser potencializado.<\/p>\n<p><strong>Qual a opini\u00e3o institucional sobre o Future-se?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma opini\u00e3o institucional da Unesp, o Conselho Universit\u00e1rio n\u00e3o se posicionou em rela\u00e7\u00e3o ao programa. E eu penso que isso se deva principalmente ao fato de o programa n\u00e3o se aplicar \u00e0 universidade, pelo fato de ser uma universidade estadual. Muitas federais j\u00e1 se posicionaram formalmente em rela\u00e7\u00e3o ao programa. Aqui na Faculdade de Ci\u00eancias Humanas e Sociais, o programa tem sido discutido informalmente em v\u00e1rios c\u00edrculos, mas n\u00e3o houve uma abordagem formal. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que exista uma posi\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. O que eu posso dizer \u00e9 qual \u00e9 a minha posi\u00e7\u00e3o pessoal, enquanto gestor de uma unidade universit\u00e1ria e algu\u00e9m que pesquisa pol\u00edtica no pa\u00eds. Me parece um programa muito ruim por apostar que o \u00fanico modelo poss\u00edvel para a universidade \u00e9 o modelo do financiamento privado, de efici\u00eancia de mercado, que parte de um pressuposto muito comum no debate pol\u00edtico brasileiro, que \u00e9 a demoniza\u00e7\u00e3o do Estado, como se tudo o que fosse p\u00fablico fosse ruim e aquilo que \u00e9 privado \u00e9 necessariamente bom. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Esse \u00e9 o pressuposto do Future-se. Prova disso est\u00e1 em tudo quanto \u00e9 ranking nacional e internacional de avalia\u00e7\u00e3o de universidades, e sempre as p\u00fablicas s\u00e3o as que pontuam nas primeiras posi\u00e7\u00f5es, quaisquer que sejam os crit\u00e9rios desses rankings.<\/p>\n<p><strong>Qual a chance de o Governo do Estado impor algo similar \u00e0 Unesp? Como o campus de Franca se adequaria \u00e0 situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Temos a prote\u00e7\u00e3o da autonomia da universidade, assegurada pela constitui\u00e7\u00e3o, pelas normas do estado de S\u00e3o Paulo, e penso que seria dif\u00edcil o governo do estado avan\u00e7ar numa proposta nesse sentido. Al\u00e9m da quest\u00e3o da pr\u00f3pria autonomia das universidades, mas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o de algumas posi\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio governo vem adotando. De certa forma at\u00e9 surpreende pela matriz liberal do governador, mas que possui avalia\u00e7\u00e3o positiva em rela\u00e7\u00e3o ao papel que as universidades p\u00fablicas paulistas desempenham, inclusive procurando se contrapor \u00e0quilo que o Governo Federal prop\u00f5e em termos de pol\u00edtica educacional e em outros setores.<\/p>\n<p><strong>Em 2018, ano de sua posse, a Unesp estava em grave crise econ\u00f4mica. Uma das solu\u00e7\u00f5es propostas foi o fechamento de campi no litoral sul. A ideia continua na pauta do Conselho Universit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>O Conselho Universit\u00e1rio n\u00e3o apresentou essa proposta. Isso \u00e9 fake [Fontes docentes em tr\u00eas campi da Unesp, nenhum deles de Franca, contestam essa declara\u00e7\u00e3o. A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 que houve discuss\u00f5es para o fechamento da unidade em Registro, o que, inclusive, gerou forte rea\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio para mant\u00ea-lo]. Nunca essa proposta foi discutida no Conselho Universit\u00e1rio. H\u00e1, de fato, um debate em termos informais a prop\u00f3sito da expans\u00e3o da Unesp. O que me parece correto \u00e9 a expans\u00e3o de vagas no ensino superior p\u00fablico. Tamb\u00e9m me parece importante esse enraizamento que a Unesp apresenta pelo Estado de S\u00e3o Paulo. Se costuma dizer que, se tomarmos cada uma das unidades e tra\u00e7armos um raio de cem quil\u00f4metros, sempre haver\u00e1 uma \u00e1rea coberta pela Unesp no estado de S\u00e3o Paulo. Isso oferece oportunidades de ensino, de pesquisa e tamb\u00e9m fomenta o desenvolvimento regional. Agora, h\u00e1 uma certa avalia\u00e7\u00e3o de que o processo em si foi marcado por equ\u00edvocos. Muitas vezes a multiplica\u00e7\u00e3o das unidades, a escola dos cursos e sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o, pode ter sido excessiva. N\u00e3o tem estudos sistem\u00e1ticos sobre isso para cravar com toda certeza, mas podem ter ocorrido equ\u00edvocos neste casamento entre a escolha do curso e as regi\u00f5es, e um excesso de pulveriza\u00e7\u00e3o. Se conversa informalmente sobre isso em v\u00e1rios segmentos da universidade, mas formalmente isso nunca foi pautado pelo Conselho Universit\u00e1rio e, por enquanto, pelo menos, n\u00e3o h\u00e1 sinal de que isso entre em pauta.<\/p>\n<p><strong>Existe chance de o campus de Franca ser fechado?<\/strong><\/p>\n<p>Isso nunca foi cogitado por v\u00e1rias raz\u00f5es. \u00c9 um campus hist\u00f3rico, em vias de completar 60 anos. A unidade aqui \u00e9 anterior a pr\u00f3pria Unesp. \u00c9 uma daquelas unidades que foram incorporadas no processo de cria\u00e7\u00e3o da Unesp. N\u00e3o \u00e9 uma rec\u00e9m-criada, e os cursos aqui apresentam alta procura, alguns com maior, outros com menor, mas todos est\u00e3o bem acima da m\u00e9dia de procura dos vestibulares da Vunesp. Isso nunca foi cogitado, est\u00e1 completamente fora da agenda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_996\" aria-describedby=\"caption-attachment-996\" style=\"width: 4128px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-996\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UNESP_Franca_Main_Entrance_Franca_SP_Brazil.jpg\" alt=\"\" width=\"4128\" height=\"3096\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UNESP_Franca_Main_Entrance_Franca_SP_Brazil.jpg 4128w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UNESP_Franca_Main_Entrance_Franca_SP_Brazil-300x225.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UNESP_Franca_Main_Entrance_Franca_SP_Brazil-768x576.jpg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UNESP_Franca_Main_Entrance_Franca_SP_Brazil-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 4128px) 100vw, 4128px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-996\" class=\"wp-caption-text\">Para Murilo, aproxima\u00e7\u00e3o entre universidade e comunidade deve ser maior (Foto: Banco de imagens)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Um projeto hist\u00f3rico do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da faculdade \u00e9 a transfer\u00eancia do curso para a capital. Qual a chance de isso ocorrer? De que maneira o senhor acredita que fragilizaria o campus como um todo?<\/strong><\/p>\n<p>De fato, esse \u00e9 um debate antigo, e eu acompanho os dois lados da quest\u00e3o. Quem defende a transfer\u00eancia para S\u00e3o Paulo tem alguns argumentos fortes. O programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais est\u00e1 situado na capital [Gaspardo se refere ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u201cSan Tiago Dantas\u201d, em rede com a Unicamp, a PUC-SP e o campus da Unesp em Mar\u00edlia. Se trata de um programa de natureza], e tamb\u00e9m \u00e9 um curso que tem um perfil mais de capital. Por outro lado, se pondera que S\u00e3o Paulo \u00e9 bastante servida de cursos de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, h\u00e1 muitos cursos l\u00e1 instalados, e \u00e9 importante que existam cursos no interior do estado tamb\u00e9m, ampliando o acesso. Se o curso for bem estruturado, com oportunidades de est\u00e1gio dentro e fora de Franca, nada impede que o aluno passe um per\u00edodo fora. \u00c9 muito comum interc\u00e2mbio nacional e internacional, particularmente em cursos de RI [Rela\u00e7\u00f5es Internacionais]. N\u00e3o haveria qualquer preju\u00edzo para a forma\u00e7\u00e3o do aluno. Esse tema, vez ou outra, \u00e9 aventado dentro do departamento, mas, se isso fosse adiante, teria que, primeiro, passar por uma discuss\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio departamento, depois ir \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o da faculdade. Quem defende a proposta costuma projetar uma contrapartida, no sentido da cria\u00e7\u00e3o de um novo curso aqui em Franca, para compensar essa sa\u00edda. Da minha parte, j\u00e1 coloquei para os grupos que, primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio que exista um consenso m\u00ednimo dentro do departamento. Sem isso, essa ideia n\u00e3o avan\u00e7a e, n\u00e3o havendo compensa\u00e7\u00e3o para a unidade, essa ideia tamb\u00e9m n\u00e3o avan\u00e7a. Como atualmente, em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria crise que voc\u00ea mencionou, n\u00e3o existem perspectivas para a cria\u00e7\u00e3o de novos cursos da Unesp. A gente tem de passar essa crise e recuperar nossos cursos que perderam docentes sem reposi\u00e7\u00e3o, e o mesmo se aplica aos servidores t\u00e9cnico-administrativos. Portanto, penso que, no horizonte do mandato que vou exercer, n\u00e3o h\u00e1 perspectivas para a transfer\u00eancia do curso para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Nesse ano, o campus iniciou tr\u00eas programas no YouTube: Unesp Franca Opini\u00f5es, Pesquisa e Di\u00e1logos. Com 38 v\u00eddeos online, como o senhor avalia o projeto? <\/strong><\/p>\n<p>Foi uma iniciativa do Departamento de Hist\u00f3ria, do professor Marcos Sorrilha, bastante ligado \u00e0s quest\u00f5es de internet. Ele tem um blog pessoal, com v\u00eddeos que ele mesmo produz. N\u00f3s criamos uma estrutura de comunica\u00e7\u00e3o aqui, uma equipe de comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es institucionais para cuidar disso. No in\u00edcio, acompanhei um pouco mais, mas, depois, deixei por conta da equipe, inclusive para que n\u00e3o houvesse nenhuma interfer\u00eancia das minhas posi\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pautas. A equipe, juntamente com os programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e os departamentos, \u00e9 quem define quem vai falar sobre o qu\u00ea. O Unesp Franca Opini\u00f5es trata de docentes que comentam temas pol\u00eamicos na agenda nacional. O Unesp Franca Pesquisa envolve n\u00e3o apenas docentes, mas tamb\u00e9m pesquisadores em geral, para divulgar o nosso trabalho, o que normalmente ocorre s\u00f3 no \u00e2mbito das revistas cient\u00edficas, mas que n\u00e3o chega \u00e0 sociedade. O programa \u00e9 positivo no sentido de que as pessoas come\u00e7aram a criar essa cultura, mas ele ainda precisa avan\u00e7ar muito em termos de visibilidade. Faz tempo que n\u00e3o olho os n\u00fameros, mas n\u00e3o s\u00e3o tantos que assistem aos programas ainda. Acho que o pr\u00f3ximo desafio, al\u00e9m de dar continuidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 que as pessoas assistam. E o Unesp Franca Di\u00e1logos \u00e9 um programa que vai para o YouTube, mas \u00e9 apenas um produto derivado. A ideia \u00e9 juntar pessoas da universidade, docentes e pesquisadores que tenham vis\u00f5es diferentes sobre determinado assunto, para que essas pessoas dialoguem. Tivemos duas edi\u00e7\u00f5es internas e uma edi\u00e7\u00e3o que foram seis eventos em conjunto com outras universidades. A Unifran, inclusive, participou de uma das mesas, o Pint of Science, que vai se repetir em maio do ano que vem, e dessa vez com a organiza\u00e7\u00e3o cabendo n\u00e3o apenas \u00e0 Unesp. A gente criou um grupo no WhatsApp com representantes da Unifran, da UniFACEF, da Unesp e da FDF [Faculdade de Direito de Franca] para estruturar um projeto coletivo das quatro universidades no ano que vem. O YouTube \u00e9 um produto, mas \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o entre os docentes. Cada um segue a sua linha de pesquisa, segue o seu trabalho individualizado e n\u00e3o tem essa abertura para conhecer o que o outro faz, dialogar com o outro, at\u00e9 desenvolver perspectivas de parceria. \u00c9 uma mudan\u00e7a incipiente, at\u00e9 cultural, mas, com as limita\u00e7\u00f5es que temos, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva.<\/p>\n<p><strong>O que se observa pela p\u00e1gina do Facebook da universidade e pelos coment\u00e1rios dos alunos \u00e9 que a Unesp est\u00e1 fazendo um esfor\u00e7o mais vigoroso no \u00faltimo ano para se publicitar. O senhor acredita que h\u00e1 um rompimento entre a sua gest\u00e3o como diretor e a anterior? Essa sempre foi a sua inten\u00e7\u00e3o ou \u00e9 uma das necessidades do cargo?<\/strong><\/p>\n<p>Entendo que a universidade vive uma crise de legitimidade perante a sociedade, que, em parte, \u00e9 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o de quem ocupa o poder no pa\u00eds hoje, de ataque \u00e0 universidade e qualquer inst\u00e2ncia que funcione como cr\u00edtica, de pensamento livre. Mas tamb\u00e9m temos a nossa responsabilidade por pensarmos se o que fazemos \u00e9 o suficiente, seja na forma\u00e7\u00e3o de profissionais qualificados para o mercado ou das pesquisas avaliadas pelos pares, apresenta\u00e7\u00e3o dos congressos, eventualmente na gera\u00e7\u00e3o de alguma tecnologia, de uma patente. Nesse momento de forte cr\u00edtica que a universidade sofre, acho que \u00e9 um despertar para essa necessidade de prestar contas para a sociedade. Penso que \u00e9 um contexto global que leva a isso. N\u00e3o somos apenas n\u00f3s aqui em Franca que estamos fazendo isso. A USP, a Unicamp, as universidades federais est\u00e3o todas agindo nesse sentido, at\u00e9 a FAPESP [Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo]. No outro dia mesmo, a gente estava na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo, a Unesp fez uma exposi\u00e7\u00e3o l\u00e1, e depois tinha uma da FAPESP. \u00c9 uma onda geral, e coincide de eu estar nessa onda, mas sempre tive essa preocupa\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o anterior, e uma preocupa\u00e7\u00e3o com a necessidade de fazer isso de forma o mais profissionalizada o poss\u00edvel, n\u00e3o dependendo apenas da boa vontade de designar algu\u00e9m. Criamos uma sistem\u00e1tica, esquematizamos como fazer, formulamos em conjunto com o grupo algumas diretrizes, e tem um grupo de pessoas que t\u00eam outras fun\u00e7\u00f5es aqui dentro. Infelizmente, a gente n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de contratar. O sonho seria esse. Ter uma ag\u00eancia especializada pra cuidar disso, pessoas que gostam de escrever, de lidar com as redes, de fazer as entrevistas, os v\u00eddeos, que se dispusessem a assumir mais essa tarefa al\u00e9m daquilo que lhes caiba, mas com um pouco mais de profissionalismo. A\u00ed, n\u00f3s procuramos os ve\u00edculos de imprensa tamb\u00e9m para abrir essas portas, e tamb\u00e9m as diversas organiza\u00e7\u00f5es representativas de Franca.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia que o senhor atribui \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria p\u00fablica? Quais s\u00e3o os modelos que o senhor admira no sentido de rela\u00e7\u00f5es com a comunidade? Qual seria um mal exemplo na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei responder a essa pergunta porque n\u00e3o tenho um modelo direto de comunica\u00e7\u00e3o. Vim da Universidade de S\u00e3o Paulo, e uma coisa que eu vi que aqui era muito mais interessante \u00e9 o trabalho de extens\u00e3o. \u00c9 l\u00f3gico que tinham coisas importantes l\u00e1, mas aqui h\u00e1 uma diversidade de projetos muito interessantes atuando em escolas, em associa\u00e7\u00f5es de bairro, em assentamento rural, conselhos de pol\u00edticas p\u00fablicas, uma gama bastante diversificada de espa\u00e7os, no sentido em que \u00e9 preciso articular mais isso para ter visibilidade, e assumir essa rela\u00e7\u00e3o com a sociedade como uma estrat\u00e9gia institucional, e n\u00e3o apenas de a\u00e7\u00f5es isoladas. Por coincid\u00eancia, nesse caminho, conversei um pouco com o prof. Floriano [Peixoto de Azevedo, diretor da Faculdade de Direito da USP], com o prof. Marcos [Augusto Perez, professor e membro da comiss\u00e3o de extens\u00e3o da faculdade], e com o prof. C\u00e9sar [Martins, diretor do Instituto de Bioci\u00eancias de Botucatu, da Unesp], que partilharam algumas ideias, mas foi um processo mais intuitivo, de minhas experi\u00eancias de vida, um pouco da minha pesquisa em democracia, em pol\u00edtica. N\u00e3o parti de um modelo espec\u00edfico, nem teria um modelo negativo para apontar.<\/p>\n<p><strong>Quais foram os erros e acertos da sua gest\u00e3o em estabelecer rela\u00e7\u00f5es com a comunidade?<\/strong><\/p>\n<p>Prefiro deixar esse julgamento para terceiros. \u00c9 complicado fazer uma avalia\u00e7\u00e3o nesse sentido. Estamos a\u00ed com um ano e cinco meses de gest\u00e3o. Acho que a simples iniciativa de ir \u00e0 comunidade, com o poder p\u00fablico, com as lideran\u00e7as da sociedade civil, \u00e9 importante. A Unesp de Franca vem melhorando sua interlocu\u00e7\u00e3o com a sociedade. Isso come\u00e7a a dar alguns resultados, sobretudo em termos de investimentos, em emendas no or\u00e7amento do estado, da Uni\u00e3o, a pr\u00f3pria aproxima\u00e7\u00e3o com as outras universidades da regi\u00e3o. Um grande projeto que catalisa isso \u00e9 o F\u00f3rum Franca Sustent\u00e1vel, que foi uma ideia que me ocorreu numa experi\u00eancia da Unesp de Araraquara, a partir dos resultados de uma pesquisa que envolveu a Rede Nossa S\u00e3o Paulo, o programa de metas, mas que sabia que n\u00e3o adiantaria querer tocar sozinhos. N\u00e3o t\u00ednhamos f\u00f4lego para isso aqui na Unesp e temos uma riqueza de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior aqui em Franca. N\u00e3o teria cabimento querer fazer isso sozinhos. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a conversar com a ACIF, com a Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura, depois com a K\u00e1tia [Jorge Ciuffi, reitora da Unifran], com o pessoal da FDF, e constru\u00edmos esse projeto coletivamente. Essa aproxima\u00e7\u00e3o com outras universidades para pensar o futuro de Franca a partir dos objetivos do mil\u00eanio da ONU me parece muito positivo. Quanto a erros, n\u00e3o sei avaliar, mas talvez essa constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es com a sociedade n\u00e3o surtiu resultados palp\u00e1veis. Ainda n\u00e3o tivemos um grande projeto que tenha resultado desses contatos, dessa a\u00e7\u00e3o da equipe de comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es institucionais, e espero que isso ocorra ao longo dos pr\u00f3ximos anos. Semear \u00e9 importante, mas \u00e9 preciso cuidar da semente, regar, adubar, para que d\u00ea os frutos concretos, se n\u00e3o a semente fica s\u00f3 na inven\u00e7\u00e3o, e isso \u00e9 frustrante para a gest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nesse sentido, existe mais algum projeto que o senhor queira fazer em parceria com a Unifran e\/ou com a UniFACEF?<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do pr\u00f3prio f\u00f3rum Franca Sustent\u00e1vel, mas com uma abrang\u00eancia maior \u2013 pois n\u00e3o ser\u00e1 um evento mais local, est\u00e1 ganhando uma abrang\u00eancia nacional \u2013, faremos um semin\u00e1rio sobre a aplica\u00e7\u00e3o da Agenda 2030 da ONU no \u00e2mbito dos munic\u00edpios em geral e, para isso, estamos em parceria com diferentes atores, como o PNUD, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Munic\u00edpios, o Instituto Ethos. Ser\u00e1 um grande evento, com tr\u00eas dias aqui no m\u00eas de abril e multissede. A abertura vai ser na Unifran, o segundo dia na UniFACEF e o terceiro dia aqui na Unesp, com confer\u00eancias, mesas, pain\u00e9is, grupos de trabalho de pesquisas. E o terceiro dia ser\u00e1 um momento de articula\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, de universidades e, tamb\u00e9m, do setor empresarial. Teremos bastante trabalho pela frente, mas acho que vai ser algo bastante marcante. Acredito muito nessa articula\u00e7\u00e3o entre as universidades. \u00c9 natural que universidades que est\u00e3o no mesmo segmento tenham competi\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam cursos, perfis e p\u00fablicos diferentes. Ent\u00e3o, penso que, embora possa haver uma competi\u00e7\u00e3o ou outra, temos muito mais no que cooperar, e em via de alguns debates sobre o contexto econ\u00f4mico de Franca, com as dificuldades que a ind\u00fastria cal\u00e7adista vem enfrentando, mas ainda com import\u00e2ncia, com potencial para recuperar, com novos setores despontando, como o caf\u00e9, as lingeries, a moda fit. Franca tamb\u00e9m \u00e9 uma cidade com um grande polo educacional. Al\u00e9m das quatro que j\u00e1 mencionei, tem a Fatec, a Anhanguera, e isso movimenta a economia da cidade. Penso que essas universidades t\u00eam de trabalhar uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com o setor empresarial, industrial, o setor p\u00fablico tamb\u00e9m, como um meio para potencializarmos esses resultados econ\u00f4micos para a cidade, a exemplo de S\u00e3o Carlos e Ribeir\u00e3o Preto. O setor educacional \u00e9 importante para Franca, e pode ser ainda mais.<\/p>\n<p><strong>Quais seus principais objetivos at\u00e9 o final da gest\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Constru\u00edmos um programa que tem os eixos, os objetivos, as diretrizes, e esse programa foi reconstru\u00eddo a partir dos debates que se desenvolveram a partir da campanha e no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. Nesse programa, tem um monte de quest\u00f5es que s\u00e3o relacionadas ao dia a dia e ele se consubstanciou em dezenove programas. Uma parte deles vinculada a quest\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o, outros na parte acad\u00eamica propriamente. E tem os programas especiais, que \u00e9 o programa de gest\u00e3o digital, o programa de arte e cultura, o programa de esporte e sa\u00fade, e o programa de comunica\u00e7\u00e3o. Os programas est\u00e3o desenhados, e a quest\u00e3o agora \u00e9 concretiz\u00e1-los, de amadurecer as iniciativas. N\u00e3o devemos propor a\u00e7\u00f5es novas, temos de concretizar. Por exemplo, a p\u00e1gina do Facebook, em termos de giro de not\u00edcia, ela vai bem, mas precisa ter mais visibilidade, que n\u00e3o seja restrita ao nosso p\u00fablico interno. Dar maior visibilidade tamb\u00e9m ao Twitter, Instagram, YouTube. Acho que temos acessado bem a m\u00eddia regional. \u00c9 claro que isso pode melhorar ainda, conseguir cavar um pouco mais de espa\u00e7o. Vez ou outra, tive uma participa\u00e7\u00e3o, outros docentes tamb\u00e9m, em peri\u00f3dicos de circula\u00e7\u00e3o nacional, mas acho que ocupar espa\u00e7o de debate, de opini\u00e3o, jur\u00eddico, pol\u00edtico, de hist\u00f3ria, seria importante. Transcender a imprensa local e regional. Penso que seria algo nessa linha, de ampliar as iniciativas j\u00e1 iniciadas, assegurar maior visibilidade para aquilo que a gente tem, que eu sei que \u00e9 dif\u00edcil. Uma novidade para o p\u00fablico interno, mas que n\u00e3o \u00e9 mais interno, \u00e9 o acesso aos nossos antigos alunos. Estamos construindo uma pol\u00edtica nesse sentido, que s\u00e3o 2.300 alunos que est\u00e3o aqui no momento, e, ao longo da hist\u00f3ria, muita gente mais passou por aqui. O pessoal est\u00e1 lan\u00e7ando um boletim mensal, fazendo um trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o com os antigos alunos que se cadastraram na plataforma Alumni [Site alumni.unesp.br, iniciativa da reitoria em 2017, que busca reunir ex-alunos da institui\u00e7\u00e3o, bem como oferecer servi\u00e7os de documenta\u00e7\u00e3o e intermedia\u00e7\u00e3o profissional via internet], que tiveram v\u00ednculo aqui com Franca ou que deixaram seus e-mails, para que recebam uma informa\u00e7\u00e3o sobre como anda a universidade em que elas estudaram. Ano passado, institu\u00edmos uma comemora\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio da unidade, algo em que n\u00e3o t\u00ednhamos essa tradi\u00e7\u00e3o, e vamos repetir todos os anos. Vamos implantar o Centro de Mem\u00f3ria da faculdade. A gente tem um Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica e, junto dele, teremos o Centro de Mem\u00f3ria para contar a hist\u00f3ria da Unesp de Franca, intercalada com a hist\u00f3ria do munic\u00edpio. Me incomodava estar numa faculdade de Hist\u00f3ria em que n\u00e3o se estava preservando a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de uma institui\u00e7\u00e3o em vias de completar 60 anos. Esse espa\u00e7o vai ser para a manuten\u00e7\u00e3o do acervo, mas tamb\u00e9m aberto \u00e0 comunidade. Vai ser mais um instrumento para receber as visitas de interessados, em geral de escolas.<\/p>\n<p><strong>O que o senhor deseja dizer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Franca? <\/strong><\/p>\n<p>Que a Unesp \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o muito importante para o desenvolvimento de Franca, pelo impacto econ\u00f4mico que provoca na cidade, com o gasto dos sal\u00e1rios dos servidores, dos estudantes que v\u00eam pra c\u00e1. Muitos deles recebem bolsas da universidade e investem na cidade. Mas, muito mais do que isso, ela tem um impacto simb\u00f3lico muito importante, no sentido da circula\u00e7\u00e3o cultural, intelectual, dos eventos que s\u00e3o promovidos aqui, do debate acad\u00eamico, da a\u00e7\u00e3o extensionista, dos quadros profissionais que s\u00e3o formados pro ensino b\u00e1sico, superior, para as pol\u00edticas municipais e mesmo a atua\u00e7\u00e3o do terceiro setor no \u00e2mbito do Servi\u00e7o Social, da \u00e1rea jur\u00eddica, das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Gostaria muito que a popula\u00e7\u00e3o de Franca conhecesse mais a Unesp. Muitas vezes, h\u00e1 um certo preconceito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. A cidade n\u00e3o se apropria dela como deveria. Estamos aqui na Unesp, mas n\u00e3o \u00e9 qualquer Unesp, \u00e9 a Unesp de Franca. Se apropriar dessa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais forte em outras cidades. Na fun\u00e7\u00e3o que ocupo hoje, acabo conhecendo outras realidades, e tem cidade em que esse v\u00ednculo \u00e9 mais forte. Estamos tentando dar alguns passos nessa dire\u00e7\u00e3o, sendo muito bem acolhidos por aqueles com quem temos estabelecido essa interlocu\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 um pedido. Por outro lado, da nossa parte, somos muito gratos por estarmos em Franca, a cidade que acolhe essa universidade. A \u00e1rea em que esse campus est\u00e1 instalado foi resultado da doa\u00e7\u00e3o de uma funda\u00e7\u00e3o, do patrim\u00f4nio de um benfeitor aqui de Franca, o Cavalheiro Petraglia. N\u00e3o fosse essa doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ter\u00edamos nem mesmo esse espa\u00e7o. Foi a comunidade de Franca que nos deu esse espa\u00e7o. Foram lideran\u00e7as francanas que, h\u00e1 mais de 60 anos, se empenharam para que a cidade tivesse essa faculdade. Boa parte dos docentes n\u00e3o \u00e9 de Franca, boa parte dos alunos n\u00e3o \u00e9 de Franca, e aqui \u00e9 que somos acolhidos e chegamos para ocupar o espa\u00e7o de outras pessoas que j\u00e1 est\u00e3o estabelecidas. Temos de entender a din\u00e2mica, a cultura, os valores da cidade. Ao mesmo tempo em que pe\u00e7o que nos conhe\u00e7am melhor, que se apropriem da Unesp, digo, da nossa parte, da nossa gratid\u00e3o pela maneira com que Franca nos acolhe e por estarmos aqui instalados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 isso o que garante o diretor da faculdade, Murilo Gaspardo, nessa entrevista concedida de forma exclusiva ao Agenda Sette<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":998,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia-transformadora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=993"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1010,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions\/1010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}