{"id":594,"date":"2019-03-27T13:23:26","date_gmt":"2019-03-27T13:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=594"},"modified":"2020-06-15T22:47:24","modified_gmt":"2020-06-15T22:47:24","slug":"padroes-que-oprimem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=594","title":{"rendered":"Padr\u00f5es que oprimem"},"content":{"rendered":"<p><em>Por assumirem comportamentos diferentes dos aceitos socialmente, bi, pan e assexuais foram e s\u00e3o severamente rotulados<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Gabriela Sturaro Junqueira<\/strong><\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o: Yasmin Cavichioli<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Brenda, que se descobriu bissexual ap\u00f3s achar que era l\u00e9sbica na inf\u00e2ncia (Acervo pessoal)<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cGostei de uma amiga de inf\u00e2ncia por cerca de nove anos. S\u00f3 que as pessoas ao nosso redor diziam ofensas. Minha amiga ficava muito brava. Nunca falei nada dos meus sentimentos para ela. Para n\u00e3o estragar a nossa amizade, porque era importante para mim.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o in\u00edcio do relato de Brenda do Carmo, de 19 anos. Moradora de Gua\u00edra-SP, ela afirma ser bissexual, o que caracteriza pessoas que t\u00eam interesse por ambos os sexos. E, por isso, s\u00e3o v\u00edtimas de preconceito. At\u00e9 mesmo na comunidade LGBTQIA+ (sigla para L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros, Queer, Intersexo e Assexuais).<\/p>\n<p>Ao longo dessa reportagem, voc\u00ea poder\u00e1 ler o depoimento completo. Dela e de Victor Cardoso, de Ceil\u00e2ndia-DF. E, ainda, de pans e assexuais. Mas, antes, buscaremos entender o que provoca o preconceito.<\/p>\n<p>De acordo com o soci\u00f3logo S\u00e9rgio Lucas de Oliveira, de Gua\u00edra, o bissexual \u00e9 visto como \u201cuma pessoa que n\u00e3o se \u2018encaixa\u2019\u201d. Em muitos casos, \u00e9 rotulado como \u201csem vergonha.\u201d<\/p>\n<p>\u201cVivemos em uma sociedade em que o padr\u00e3o se ser humano \u2018normal\u2019 \u00e9 o masculino ou o feminino. Isso devido a nossas tradi\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, com base na moral de muitas religi\u00f5es. Os bissexuais seriam contra esses princ\u00edpios morais, que t\u00eam o poder de influenciar as fam\u00edlias.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, as pr\u00e1ticas bissexuais percorrem toda a hist\u00f3ria da humanidade. H\u00e1 relatos na Gr\u00e9cia Antiga, onde eram conhecidas como pederastia, no Jap\u00e3o feudal, com o shudo, nas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o na Roma Antiga e nos costumes e rituais de povos ind\u00edgenas. O soci\u00f3logo explica que, com o surgimento do cristianismo, no entanto, passaram a ficar escondidas. \u201cPor\u00e9m, com o movimento LGBTQIA+, tornaram-se, novamente, vis\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Para enfrentar os preconceitos, o profissional busca dar algumas dicas. O primeiro \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o, por si mesmo. \u201cProcurar mostrar que os sentimentos s\u00e3o verdadeiros para ambos os sexos. E que a pr\u00e1tica bissexual n\u00e3o define o seu car\u00e1ter.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo assim, \u00e9 preciso estar preparado porque nem toda sociedade aceita, mesmo com explica\u00e7\u00f5es. \u201cEnfrentar o preconceito nunca \u00e9 f\u00e1cil. Uma informa\u00e7\u00e3o pode ser vista como exagerada e conflituosa, aumentando o preconceito, porque nem todos est\u00e3o dispostos a entender o diferente.\u201d<\/p>\n<p>Ele acredita que os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as escolas podem ajudar, por meio da abordagem s\u00e9ria e coerente permeada com a vis\u00e3o de especialistas, como psic\u00f3logos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-600\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1a1aaaasibiscoitosexual.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1a1aaaasibiscoitosexual.jpg 820w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1a1aaaasibiscoitosexual-300x194.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1a1aaaasibiscoitosexual-768x496.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/p>\n<p>Outro soci\u00f3logo, Sidnei Ferreira dos Santos, tamb\u00e9m de Gua\u00edra, afirma que os preconceitos acontecem porque a dicotomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade ainda \u00e9 um tabu. Muitos entendem, por exemplo, que orienta\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e op\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o a mesma coisa. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 que os bissexuais sejam sempre entendidos como desvio moral ou mesmo como uma quest\u00e3o de promiscuidade\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, segundo ele, a bissexualidade deve ser pensada fora dos padr\u00f5es sociais tradicionais, uma vez que essa \u00e9 uma das v\u00e1rias formas identit\u00e1rias que emergem na sociedade contempor\u00e2nea. O debate e a pr\u00f3pria luta por liberdade sexual e de g\u00eanero s\u00e3o formas de compreens\u00e3o desse novo fen\u00f4meno. \u201cE tamb\u00e9m de combater os estigmas sociais que cerceiam a liberdade dos indiv\u00edduos que se identificam com a quest\u00e3o dessa duplicidade enquanto op\u00e7\u00e3o sexual.\u201d<\/p>\n<p>Ele conclui dizendo que o direito ao corpo \u00e9 fundamental para o desenvolvimento da democracia. \u201cPrecisamos entender que a democracia se faz pelo respeito ao direito \u00e0 diversidade, \u00e0 liberdade de express\u00e3o, seja escrita, falada, ou exteriorizada no corpo, nas roupas, ou na escolha de parceiros, afetiva ou sexualmente.\u201d<\/p>\n<p>Confira, a seguir, os depoimentos completos de Brenda e Victor.<\/p>\n<p><em>\u201cGostei de uma amiga de inf\u00e2ncia por cerca de nove anos. S\u00f3 que as pessoas ao nosso redor diziam ofensas. Minha amiga ficava muito brava. Eu nunca falei nada dos meus sentimentos para ela. Para n\u00e3o estragar a nossa amizade, porque era importante para mim.<\/em><\/p>\n<p><em>No come\u00e7o, achava que era l\u00e9sbica. Mas j\u00e1 cheguei a me apaixonar e sentir atra\u00e7\u00e3o por um garoto. Minha m\u00e3e dizia que era influ\u00eancia das minhas amigas l\u00e9sbicas. Isso fazia com que eu tivesse medo de me descobrir e aceitar.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando conversei com os meus pais sobre a minha sexualidade, eles n\u00e3o souberam lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Agiram de uma maneira como se eu fosse a \u201covelha negra\u201d da fam\u00edlia. Com isso, tive algumas reca\u00eddas de depress\u00e3o. Eles me levaram a uma psic\u00f3loga, que era amiga deles. N\u00e3o adiantou muita coisa, mas foi bom ser ouvida.<\/em><\/p>\n<p><em>Depois que me descobri bissexual, com 16 anos, come\u00e7aram os preconceitos de fora. Muita l\u00e9sbica j\u00e1 parou de sair comigo, porque percebeu que eu tamb\u00e9m sentia atra\u00e7\u00e3o por homens. Elas demonstravam medo de trai\u00e7\u00e3o. Muitos caras diziam palavras machistas para mim. Sempre com a famosa frase: Isso n\u00e3o existe! Voc\u00ea \u00e9 um ou outro.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Brenda do Carmo, 19 anos &#8211; Gua\u00edra-SP.<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_596\" aria-describedby=\"caption-attachment-596\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-596\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Foto-Victor-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Foto-Victor-300x300.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Foto-Victor-150x150.jpg 150w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Foto-Victor.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-596\" class=\"wp-caption-text\">Victor: descoberta da bissexualidade com 13 anos (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u201cDescobri que era bissexual aos 13 anos. Desde pequeno, sempre tive um jeito diferente dos outros meninos. Apesar de sempre brincar com eles, tinha meu pr\u00f3prio jeito.<\/em><\/p>\n<p><em>E, claro, as ofensas come\u00e7aram, como \u2018viadinho\u2019 e \u2018maricona\u2019. Mas nunca me importei, porque j\u00e1 sabia da minha atra\u00e7\u00e3o por meninos. Aos 13 anos, fiquei com o meu primeiro \u2018namorado\u2019. Ele era um \u00f3timo garoto.<\/em><\/p>\n<p><em>Alguns meses depois, terminamos e percebi que nenhum outro garoto me chamava aten\u00e7\u00e3o. Conheci uma garota, com quem fiquei por tr\u00eas dias. <\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, fui conversar com um amigo da minha m\u00e3e, que \u00e9 gay. Ele me explicou que eu poderia ser bissexual. Ap\u00f3s isso, quando entrei na faculdade, conheci v\u00e1rias pessoas diferentes e tive mais certeza da minha sexualidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Os preconceitos come\u00e7aram dentro da pr\u00f3pria comunidade. Um homem, com quem eu estava ficando, do nada se afastou por saber que sou bissexual, e ainda me chamou de gay de Taubat\u00e9. Achei at\u00e9 engra\u00e7ado. Por diversas vezes, rolou isso. Pessoas falavam que bissexual era coisa de indeciso. Que bissexualidade n\u00e3o existe.<\/em><\/p>\n<p><em>Em rela\u00e7\u00e3o a esses preconceitos, fico decepcionado. Porque toda forma de amor \u00e9 v\u00e1lida. Contei pra minha m\u00e3e e ela me apoiou. Disse que s\u00f3 queria que eu fosse feliz.<br \/>\nEstou namorando uma garota que tamb\u00e9m \u00e9 bissexual. Acho que foi uma coisa do destino. Para finalizar, vou deixar um recado para quem ler esse relato: n\u00e3o importa quem voc\u00ea \u00e9. Sempre ame o pr\u00f3ximo, respeite e, o principal, seja voc\u00ea mesmo e feliz!\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Victor Cardoso, 23 anos &#8211; Ceil\u00e2ndia-DF.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pansexuais<\/strong><\/p>\n<p>A pansexualidade \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o sexual ou amorosa entre pessoas. \u00c9 independente do sexo ou g\u00eanero. O pansexual se sente atra\u00eddo por todos os sexos\/g\u00eaneros.<\/p>\n<p>\u201cFalar para as pessoas que sou pansexual \u00e9 complicado. Muitas n\u00e3o sabem o que \u00e9 pansexualidade. E, mesmo sendo pouco conhecida, ainda existem v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es erradas\u201d afirma Catarina, nome fict\u00edcio, de 19 anos, de Franca-SP, que prefere n\u00e3o ter a identidade revelada.<\/p>\n<p>Confira o depoimento completo dela:<\/p>\n<p><em>\u201cAcredito que os panssexuais vivem na sombra dos bissexuais. \u00c9 prov\u00e1vel que todo pansexual j\u00e1 tenha dito para os conhecidos que era bissexual em algum momento da vida. Comigo foi assim, e com todos que eu conhe\u00e7o. O pansexual mal tem visibilidade na comunidade LGBTQIA+. \u00c9 um dos grupos mais esquecidos.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o me assumi para a minha fam\u00edlia por v\u00e1rios motivos, sendo um deles o medo de que eles n\u00e3o entendam muito bem o que eu sou.<\/em><\/p>\n<p><em>O pansexual pode sentir atra\u00e7\u00e3o por qualquer pessoa que estiver por perto. N\u00e3o que ele ir\u00e1 se apaixonar por todo mundo ao mesmo tempo, mas as possibilidades s\u00e3o maiores.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu n\u00e3o penso se \u00e9 mulher, homem ou o que a pessoa seja. Somente olho e sinto que a pessoa \u00e9 interessante ou bonita. Afinal, o pansexual tamb\u00e9m tem gosto, como todas as pessoas. <\/em><\/p>\n<p><em>Quando digo que pode se atrair por todos, quero dizer todos que fa\u00e7am parte do contexto que o pansexual considera ser atraente para ele. Porque n\u00f3s temos um padr\u00e3o de pessoas por quem nos interessamos mais, talvez nem por apar\u00eancia, mas por outros aspectos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Alice, nome fict\u00edcio, tamb\u00e9m de Franca-SP, afirma notar que o preconceito acontece na pr\u00f3pria comunidade LGBTQIA+. \u201cMuita gente diz que pansexual n\u00e3o existe e que \u00e9 \u2018bi gourmet\u2019. O que se pode fazer para acabar com isso \u00e9 dar visibilidade aos pansexuais. S\u00f3 queremos respeito.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_599\" aria-describedby=\"caption-attachment-599\" style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-599\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-soci\u00f3logo.jpg\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-soci\u00f3logo.jpg 287w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-soci\u00f3logo-177x300.jpg 177w\" sizes=\"auto, (max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-599\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rgio: movimento pansexual surgiu como ruptura (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o soci\u00f3logo S\u00e9rgio Lucas de Oliveira, essa pouca visibilidade se d\u00e1 por se tratar de uma defini\u00e7\u00e3o nova. Isso faz com que muitos pansexuais n\u00e3o se assumam. \u201cAlguns acabam mesmo se denominando como bissexuais, no intuito de facilitar a compreens\u00e3o daqueles que n\u00e3o t\u00eam conhecimento da defini\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Diferente da bissexualidade, segundo ele, n\u00e3o h\u00e1 relatos hist\u00f3ricos concretos sobre os pansexuais. \u201cComo a primeira teve princ\u00edpio na Gr\u00e9cia Antiga, alguns especialistas acabam relacionando, tamb\u00e9m com a Gr\u00e9cia, a origem da pansexualidade.\u201d<\/p>\n<p><strong>For\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Oliveira conta como a pansexualidade ganhou for\u00e7a. \u201cO movimento surgiu por meio da ruptura no movimento bissexual, nas d\u00e9cadas de 1980\/90 e, principalmente, nos anos 2000. Isso impulsionou o surgimento da identidade pansexual, paralelamente \u00e0 luta dos bissexuais, na derrubada da transfobia dentro do movimento bissexual.\u201d<\/p>\n<p>A luta contra o preconceito passa, conforme ele explica, at\u00e9 por desmistificar julgamentos desconexos, como o de que a pansexualidade estaria ligada \u00e0 zoofilia (atra\u00e7\u00e3o por animais).<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Andr\u00e9 Bordini, de Ribeir\u00e3o Preto-SP, explica, por\u00e9m, que, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o sexo saud\u00e1vel \u00e9 aquele realizado entre seres humanos, mentalmente capazes e de forma livremente consentida. Nesse caso, a zoofilia, bem como a pedofilia e a necrofilia s\u00e3o considerados abuso de incapazes ou viol\u00eancia sexual. \u201cTudo o que est\u00e1 fora dessas express\u00f5es patol\u00f3gicas \u00e9 uma experi\u00eancia sexual psicologicamente aceit\u00e1vel.\u201d Entre elas, a pansexualidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma experi\u00eancia sexual de gente que curte\/gosta de gente. Independente do g\u00eanero, apar\u00eancia f\u00edsica e orienta\u00e7\u00e3o sexual do outro. S\u00e3o pessoas que sentem capazes de serem atra\u00eddas e de atrair outros seres humanos. De sua forma mais ampla e gen\u00e9rica.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_598\" aria-describedby=\"caption-attachment-598\" style=\"width: 363px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-598\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-psic\u00f3logo.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"608\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-psic\u00f3logo.jpg 363w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/foto-psic\u00f3logo-179x300.jpg 179w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-598\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9: segundo a OMS, pansexualidade \u00e9 pr\u00e1tica saud\u00e1vel (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Assexuais<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 os bi e pansexuais enfrentam preconceitos. Aqueles que se consideram assexuais tamb\u00e9m sofrem com a falta de entendimento sobre suas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A assexualidade se caracteriza pela falta de atra\u00e7\u00e3o sexual a qualquer pessoa. E por pequeno ou nenhum interesse relacionado \u00e0s atividades sexuais humanas. De acordo com dados do Programa de Estudos da Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (ProSex-IPq), cerca de 7,7% das mulheres brasileiras e 2,5% dos homens, entre 18 e 80 anos, se declaram assexuais.<\/p>\n<p>A estudante de Design Gr\u00e1fico Bianca Alves Rodrigues Bianchini, de 23 anos, de Sacramento-MG, \u00e9 uma delas. Ela afirma que nunca teve o mesmo interesse que as amigas por garotos. \u201cQuando pr\u00e9-adolescente, as meninas j\u00e1 falavam quem era o menino mais bonito. Eu escutava e achava tudo bobagem.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a estudante, com o passar do tempo, esse tipo de assunto se tornou mais frequente. \u201cMe veio uma insatisfa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as pessoas ficavam perguntando: quando voc\u00ea vai beijar tal garoto? Eu via as pessoas e nunca senti necessidade de beijar ou ter rela\u00e7\u00f5es sexuais. Mesmo todos dizendo que era maravilhoso. Com isso, tamb\u00e9m parei de frequentar as festas.\u201d<\/p>\n<p>A estudante relata como lida com as pessoas que querem se relacionar com ela. E como enfrenta preconceitos sobre sua sexualidade. \u201cQuando uma pessoa diz que est\u00e1 solteira e que quer ficar comigo, digo que sou assexual. Normalmente, ela se assusta e explico o conceito. Mas nunca respondem um \u2018compreendo\u2019 e, sim, como \u2018gay no arm\u00e1rio\u2019 ou que n\u00e3o encontrei a pessoa certa.\u201d<\/p>\n<p>Na fam\u00edlia, ela garante que j\u00e1 se acostumaram. \u201cAs pessoas acham estranho o fato de s\u00f3 amizade me fazer feliz. Mas percebo, tamb\u00e9m, que elas n\u00e3o querem ficar sozinhas de forma alguma e esse tipo de coisa assusta. Algumas chegam a pensar que sou de alguma seita religiosa.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por assumirem comportamentos diferentes dos aceitos socialmente, bi, pan e assexuais foram e s\u00e3o severamente rotulados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":595,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sexualidade-e-genero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=594"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":603,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/594\/revisions\/603"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}