{"id":2513,"date":"2021-11-07T12:32:52","date_gmt":"2021-11-07T12:32:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2513"},"modified":"2021-11-10T16:47:42","modified_gmt":"2021-11-10T16:47:42","slug":"limpeza-na-lavoura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2513","title":{"rendered":"Limpeza na lavoura"},"content":{"rendered":"<p><em>Professora da Unifran conduz projeto sobre o uso dos bichos-lixeiros no controle biol\u00f3gico de pragas do caf\u00e9 \u00a0<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Aline Arbache<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriel Garcia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Secagem no caf\u00e9 na propriedade de Leonardo Moraes, em Planaltina-GO: uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; no cultivo (Divulga\u00e7\u00e3o)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Alessandra Marieli Vacari, doutora e docente na Universidade de Franca (Unifran), orienta estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em um projeto de pesquisa em Entomologia Agr\u00edcola apoiado pela Fapesp \u2013 Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 e pelo CNPQ \u2013 Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico. Iniciada em fevereiro de 2019, a proposta pretende avaliar a intera\u00e7\u00e3o da lavoura cafeeira com os insetos crisop\u00eddeos, popularmente conhecidos por bichos-lixeiros, que combatem pragas-chaves como a mariposa dos bichos mineiros, o \u00e1caro vermelho e o \u00e1caro-da-leprose.<\/p>\n<p>Alessandra afirma que conheceu v\u00e1rias regi\u00f5es de caf\u00e9 com crisop\u00eddeos ao trabalhar em Franca-SP e se sentiu motivada, uma vez que o cafeeiro \u00e9 \u201cuma das culturas de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica, principalmente porque Franca est\u00e1 localizada na regi\u00e3o da Alta Mogiana, onde s\u00e3o produzidos caf\u00e9s org\u00e2nicos e especiais\u201d. Ela enviou a proposta \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no intuito de desenvolver um programa aplicado na cultura, utilizando os crisop\u00eddeos no controle biol\u00f3gico. At\u00e9 janeiro de 2022, a docente busca estudar a intera\u00e7\u00e3o entre folha de caf\u00e9, bicho mineiro e bicho-lixeiro.<\/p>\n<p>A professora explica que o bicho mineiro faz uma mina na folha para se alimentar dela. \u201cQuando a mariposa pousa sobre a folha e coloca os ovos, deles eclodem as lagartas, que entram no par\u00eanquima foliar\u201d. O par\u00eanquima foliar \u00e9 o principal representante do sistema de tecidos da planta e, quando atacado, produz mecanismos de defesa que prejudicam o desenvolvimento, a reprodu\u00e7\u00e3o e a oviposi\u00e7\u00e3o do inseto-praga. Eles atuam tanto como detergentes na alimenta\u00e7\u00e3o das lagartas quanto como atraentes dos bichos-lixeiros.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um equipamento de sistema totalmente fechado, com um t\u00fabulo Y de vidro, chamado olfat\u00f4metro. Nele, coloco, de um lado, a planta n\u00e3o atacada, intacta, e, do outro, uma que sofreu inj\u00farias do bicho mineiro. O crisop\u00eddeo, que est\u00e1 no meio, detecta e vai ao encontro da planta atacada, pela qual tem prefer\u00eancia. Isso \u00e9 um indicativo de que, ap\u00f3s o ataque, a planta produz os metab\u00f3litos e eles atraem o crisop\u00eddeo, o que n\u00e3o ocorre quando a planta n\u00e3o est\u00e1 infestada.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2517\" aria-describedby=\"caption-attachment-2517\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2517\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"945\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-1.jpeg 1280w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-1-300x221.jpeg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-1-768x567.jpeg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-1-1024x756.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2517\" class=\"wp-caption-text\">Olfat\u00f4metro: equipamento compara planta infestada com outra livre de pragas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sozinhas, portanto, algumas plantas atraem os predadores naturalmente, mas essa prote\u00e7\u00e3o pode ser bloqueada por diversos motivos, como falta de adaptabilidade da planta ao clima ou o pr\u00f3prio monocultivo realizado pelo ser humano, visto que alimentos em excesso, falta de nutrientes na terra e aus\u00eancia de outros fatores limitantes desencadeiam um ritmo desenfreado na taxa reprodutiva das pragas, com a qual a planta n\u00e3o d\u00e1 conta de lidar por si s\u00f3.<\/p>\n<p>O projeto deve transformar toda a intera\u00e7\u00e3o planta, herb\u00edvoro e predador em estrat\u00e9gias para produtores rurais que usam t\u00e9cnicas emp\u00edricas nem sempre eficientes. \u00c9 a\u00ed que surgem os semioqu\u00edmicos, produzidos por todos os seres vivos e que modificam o comportamento e a comunica\u00e7\u00e3o entre eles. Tratam-se de organismos que \u201cconversam\u201d com outros por meio do sistema sensorial e, de acordo com sua \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d, emitem sinais qu\u00edmicos que s\u00e3o captados pelo receptor para que ele reaja, positiva ou negativamente, \u00e0 intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os semioqu\u00edmicos<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o cinco t\u00e9cnicas de inser\u00e7\u00e3o dos semioqu\u00edmicos na rotina agron\u00f4mica, cujos benef\u00edcios preservam os agroecossistemas do impacto ambiental, reduzem ou eliminam gastos e diminuem res\u00edduos de componentes t\u00f3xicos, do cultivo \u00e0 mesa \u2013 como os inseticidas, que t\u00eam grande bagagem agrot\u00f3xica.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos ferom\u00f4nios \u2013 semioqu\u00edmicos liberados entre seres da mesma esp\u00e9cie -, os principais s\u00e3o os sexuais. Entre os humanos, eles podem ser liberados entre um casal, e o receptor dos est\u00edmulos iniciar\u00e1 um processo fisiol\u00f3gico, como retribuir ou n\u00e3o a um carinho. \u00c9 por isso que, al\u00e9m da t\u00e9cnica de libera\u00e7\u00e3o dos predadores, o projeto de Alessandra experimenta como estes sinais sexuais agem no manejo integrado de pragas. Ela aponta que os ferom\u00f4nios para bichos mineiros s\u00e3o sint\u00e9ticos e gerados pelas f\u00eameas da esp\u00e9cie para criar armadilhas: \u201cEssas subst\u00e2ncias s\u00e3o produzidas em laborat\u00f3rio em forma de pastilhas e colocadas em armadilhas com piso de cola no campo, onde os machos s\u00e3o atra\u00eddos pelos ferom\u00f4nios sexuais delas e ficam colados. Dessa forma, a gente pode fazer amostragem sem ter que ficar caminhando em talh\u00f5es enormes de caf\u00e9.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2520\" aria-describedby=\"caption-attachment-2520\" style=\"width: 476px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2520\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-4.jpeg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"638\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2520\" class=\"wp-caption-text\">A pesquisa observou que o bicho-lixeiro \u00e9 atra\u00eddo para as folhas do cafeeiro atacadas pelas pragas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2519\" aria-describedby=\"caption-attachment-2519\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2519\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-3.jpeg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-3.jpeg 960w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-3-150x150.jpeg 150w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-3-300x300.jpeg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/FOTO-3-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2519\" class=\"wp-caption-text\">Alessandra come\u00e7ou a trabalhar na pesquisa ap\u00f3s conhecer v\u00e1rias regi\u00f5es de caf\u00e9 com crisop\u00eddeos (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os semioqu\u00edmicos j\u00e1 ocupam 30% do mercado mundial de biopesticidas e, no Brasil, os mais dispon\u00edveis s\u00e3o os ferom\u00f4nios sexuais: \u201cTem para bicho mineiro e pragas de hortali\u00e7as, milho, algodoeiro&#8230; V\u00e1rias culturas\u201d. Alessandra tamb\u00e9m conta que, desde o in\u00edcio do projeto, cinco biof\u00e1bricas surgiram e j\u00e1 pediram autoriza\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) para registro e venda dos bichos-lixeiros.<\/p>\n<p>Esses aliados da sustentabilidade tamb\u00e9m se revelam como uma conquista, tanto para os produtores de alimentos org\u00e2nicos quanto convencionais. \u201cUm produtor de Planaltina-GO, com quem tenho parceria, me procurou recentemente. Indiquei uma empresa que tinha crisop\u00eddeos dispon\u00edveis. Ele est\u00e1 fazendo libera\u00e7\u00f5es e os resultados j\u00e1 s\u00e3o excelentes. \u00c9 um produtor convencional, usa inseticidas qu\u00edmico-sint\u00e9ticos. H\u00e1 quatro anos, tentava controlar o bicho mineiro e n\u00e3o conseguia. Ele nunca teve resultado de controle numa \u00e1rea convencional\u201d, diz Alessandra, que informa que um crisop\u00eddeo consome, em m\u00e9dia, de oito a dez lagartas ou pupas de bicho mineiro por dia: \u201cS\u00e3o muito vorazes.\u201d<\/p>\n<p>Sobre os resultados do projeto, a docente afirma que o pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 test\u00e1-lo em campo, mas adianta que os pr\u00e9-testes a deixaram entusiasmada: na libera\u00e7\u00e3o de crisop\u00eddeos em lugares com 70% de infesta\u00e7\u00e3o, os bichos mineiros ca\u00edram para 11%. Perguntada sobre o futuro dos agroecossistemas com os semioqu\u00edmicos, declara: \u201cA expectativa \u00e9 que, num futuro pr\u00f3ximo, os produtores tenham acesso um novo programa de controle biol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n<p><strong>Choque cultural<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo Moraes \u00e9 o produtor de Planaltina mencionado por Alessandra. Por chamada de v\u00eddeo, ele compartilhou com a reportagem todos os m\u00e9todos convencionais de controle de pragas que utilizou ao dar in\u00edcio \u00e0 cultura cafeeira. Com 56 anos, \u00e9 coronel aposentado da Pol\u00edcia Militar e n\u00e3o conhecia nada de caf\u00e9, mas, h\u00e1 cinco, decidiu se aventurar na experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Com uma \u00e1rea de 20 hectares, aprendeu a realizar todas as etapas da produ\u00e7\u00e3o \u2013 do gr\u00e3o ao p\u00f3 \u2013 junto com o filho, mas lembra que, em v\u00e1rias tentativas frustradas, comprava inseticidas e ovicidas comuns no com\u00e9rcio. \u201cNunca foi nada revolucion\u00e1rio. Foi o que os consultores indicavam e a gente ia usando o que dava certo por a\u00ed.\u201d<\/p>\n<p>Os resultados n\u00e3o foram favor\u00e1veis. \u201cA praga foi crescendo, crescendo\u2026 At\u00e9 que perdemos o controle. Nada mais fazia efeito. A natureza \u00e9 muito malvada quando voc\u00ea a maltrata. E chegou a um ponto insuport\u00e1vel: a cada 15 dias, a gente tentava um produto novo ou repetia algum utilizado antes, mas nada funcionava. Perdemos a m\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os quatro anos de controle malsucedido, Leonardo conheceu Alessandra: \u201cFoi uma grata surpresa\u201d. Ele assistiu a uma palestra da professora e fez contato com ela. \u201cEu disse: \u2018Olha, sou um pequeno produtor de 20 hectares, tecnificado e estou com este problema de infesta\u00e7\u00e3o de bicho mineiro\u2019. Ela me ofereceu um m\u00e9todo e falou: \u2018Estudamos um predador natural e sempre fizemos pesquisas. Nunca trabalhei diretamente com um produtor, mas posso te indicar algumas empresas\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Como as indica\u00e7\u00f5es eram distantes de Planaltina, a pr\u00f3pria docente passou a participar das atividades da propriedade e a oferecer dicas. Leonardo explica que ela passou a orientar como quantificar a praga no cafeeiro e fazer as libera\u00e7\u00f5es do bicho-lixeiro. \u201cNotamos que a situa\u00e7\u00e3o foi mudando da \u00e1gua para o vinho. T\u00ednhamos a praga come\u00e7ando a enfraquecer e a desaparecer, at\u00e9 que ating\u00edssemos o controle total sem usar absolutamente nenhum inseticida. Foi um choque cultural.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2514\" aria-describedby=\"caption-attachment-2514\" style=\"width: 10544px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2514\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/CAFEZAL-1-e1636287816967.jpg\" alt=\"\" width=\"10544\" height=\"2848\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/CAFEZAL-1-e1636287816967.jpg 10544w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/CAFEZAL-1-e1636287816967-300x81.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/CAFEZAL-1-e1636287816967-768x207.jpg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/CAFEZAL-1-e1636287816967-1024x277.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 10544px) 100vw, 10544px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2514\" class=\"wp-caption-text\">O cafeeiro de Planaltina passou a ser mais produtivo com os bichos-lixeiros (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2521\" aria-describedby=\"caption-attachment-2521\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2521\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LEONARDO-ANDRE-E-SILVIA.jpg\" alt=\"\" width=\"5184\" height=\"3456\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LEONARDO-ANDRE-E-SILVIA.jpg 5184w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LEONARDO-ANDRE-E-SILVIA-300x200.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LEONARDO-ANDRE-E-SILVIA-768x512.jpg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LEONARDO-ANDRE-E-SILVIA-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2521\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo (centro), acompanhado em visita ao cafeeiro, ap\u00f3s enfrentar insucessos (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a mudan\u00e7a no cultivo, as expectativas de que o m\u00e9todo pudesse colaborar com o fluxo de vendas do cafeeiro aumentaram. Segundo Leonardo, o des\u00e2nimo ficou para tr\u00e1s. \u201cO preju\u00edzo havia chegada a 70% da minha produ\u00e7\u00e3o. Meu caf\u00e9 desfolhou de tal forma que a flora\u00e7\u00e3o queimou com o sol, porque n\u00e3o tinha folha para proteger. Aqui no Planalto Central, em agosto e setembro, quando flora o caf\u00e9, a gente chega a 38\u00baC ou 38,5\u00baC numa seca de quatro a cinco meses. Situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito severa para o caf\u00e9 que, totalmente desfolhado, n\u00e3o produzia.\u201d<\/p>\n<p>Por ser uma descoberta recente, o cafeicultor ainda n\u00e3o conseguiu introduzir uma nova colheita no mercado, mas j\u00e1 compartilha o \u00e2nimo renovado. \u201cEste ano, com o crisop\u00eddeo, o caf\u00e9 floriu e est\u00e1 extremamente enfolhado. A praga continua l\u00e1? Sim, porque o controle biol\u00f3gico n\u00e3o desaparece com a praga. Mas traz um equil\u00edbrio t\u00e3o grande para a natureza que o cafezal e os crisop\u00eddeos mant\u00eam o bicho mineiro sob controle. Vamos ter uma safra comercial bastante favor\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Leonardo explica como foi descobrir um m\u00e9todo em fase de pesquisas e utiliz\u00e1-lo mesmo sem conhecimento. \u201cN\u00e3o tenho nenhuma dificuldade em admitir que era totalmente cego. Era desespero, porque j\u00e1 tinha usado produtos sist\u00eamicos, foliares e de todo tipo que voc\u00ea imaginar. Apostei no crisop\u00eddeo pensando \u2018ah, n\u00e3o tenho nada a perder, j\u00e1 t\u00f4 com a batalha perdida em rela\u00e7\u00e3o ao bicho mineiro\u2019. E vi Alessandra falando t\u00e3o bem, com tanta convic\u00e7\u00e3o, que falei &#8216;vou fazer contato com ela e tentar&#8217;. Confesso que n\u00e3o tinha expectativa, mas superou tudo o que conhe\u00e7o no mercado.\u201d<\/p>\n<p>Outra vantagem \u00e9 que a lavoura passou a atrair outros tipos de insetos ben\u00e9ficos, como abelhas e vespas \u2013 essas \u00faltimas tamb\u00e9m predadoras naturais dos bichos mineiros. Conforme Leonardo, as plantas passaram a ter muito mais vigor, sem a necessidade de trocar o adubo.<\/p>\n<p>Aos interessados em conhecer a \u00e1rea de cultivo, ele deixa as portas abertas.\u00a0 \u201cAgrade\u00e7o \u00e0 professora, que se disp\u00f4s a ajudar um produtor na ponta da linha. Tenho uma lavoura muito mais saud\u00e1vel, muito mais produtiva, muito mais bonita e com custo menor, porque os produtos qu\u00edmicos tinham pre\u00e7os muito altos e n\u00e3o funcionavam. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2515\" aria-describedby=\"caption-attachment-2515\" style=\"width: 4032px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2515\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/COLHEITA-2021.jpg\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"1816\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/COLHEITA-2021.jpg 4032w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/COLHEITA-2021-300x135.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/COLHEITA-2021-768x346.jpg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/COLHEITA-2021-1024x461.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 4032px) 100vw, 4032px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2515\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo n\u00e3o v\u00ea a hora de colocar no mercado a primeira colheita da nova fase (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora da Unifran conduz projeto sobre o uso dos bichos-lixeiros no controle biol\u00f3gico de pragas do caf\u00e9 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2522,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-2513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agenda-cientifica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2513"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2549,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513\/revisions\/2549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}