{"id":2381,"date":"2021-06-16T18:43:05","date_gmt":"2021-06-16T18:43:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2381"},"modified":"2021-06-22T03:14:24","modified_gmt":"2021-06-22T03:14:24","slug":"profissao-prazerosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2381","title":{"rendered":"&#8220;Profiss\u00e3o prazerosa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Entre as hist\u00f3rias do jornalista Nilson Fradique, do GCN, est\u00e1 a de que quase foi demitido por causa do futebol<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Lucas Faleiros<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Fradique come\u00e7ou a ter contato com o Jornalismo aos 14 anos, como office boy no jornal Com\u00e9rcio da Franca (Acervo pessoal)<\/strong><\/p>\n<p>Nilson Fradique Alves, ou simplesmente Fradique, de 48 anos, \u00e9 um jornalista e radialista francano que atua na \u00e1rea desde jovem. Sua primeira experi\u00eancia no ramo foi aos 14 anos de idade, quando foi contratado para trabalhar como <em>office boy<\/em> no Com\u00e9rcio da Franca, tradicional e j\u00e1 extinto jornal da cidade. L\u00e1, passou a conviver com outros jornalistas, com quem aprendeu e foi criando apre\u00e7o pela profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Nilson passou por diversos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e exerceu v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es \u2013 foi rep\u00f3rter, editor, redator e radialista -, sendo premiado por trabalhos realizados nos jornais Com\u00e9rcio da Franca e Di\u00e1rio da Franca, e na r\u00e1dio Hertz.<\/p>\n<p>Em 1987, venceu a categoria Destaque do Ano no Pr\u00eamio Noite EP \u2013 indicado pelo jornal Com\u00e9rcio da Franca. Tamb\u00e9m foi contemplado em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do Pr\u00eamio O Dono da Bola, devido \u00e0s suas coberturas esportivas na regi\u00e3o e reportagens de apoio a atletas da Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Francana e do Franca Basquete. Recebeu, ainda, homenagens de institui\u00e7\u00f5es como a Aspa (Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos do Franca Basquete). Em 2018, Fradique chegou ao portal GCN, onde trabalha como rep\u00f3rter e faz participa\u00e7\u00f5es em notici\u00e1rios da r\u00e1dio Difusora.<\/p>\n<p>Nessa conversa, o jornalista falou sobre v\u00e1rios assuntos relacionados \u00e0 profiss\u00e3o. Os t\u00f3picos v\u00e3o desde suas escolhas pessoais at\u00e9 as mudan\u00e7as trazidas pela pandemia de Covid-19. Ele tamb\u00e9m deu sua opini\u00e3o sobre o que os jornalistas em forma\u00e7\u00e3o devem estimar para seus futuros e a quest\u00e3o da exig\u00eancia do diploma.<\/p>\n<p><strong>Fradique, para come\u00e7ar, por que escolheu o Jornalismo? Foi algo que foi acontecendo ou voc\u00ea j\u00e1 sonhava com isso? <\/strong><\/p>\n<p>Quando comecei no jornal Com\u00e9rcio da Franca como <em>office boy<\/em>, com 14 anos, j\u00e1 tinha vontade. Por\u00e9m, foi tudo acontecendo naturalmente. Cresci dentro daquele ambiente e comecei a conviver com outros jornalistas na reda\u00e7\u00e3o. Isso foi despertando o desejo. Mas as coisas aconteceram aos poucos. Passei a trabalhar na parte de diagrama\u00e7\u00e3o do jornal e fui me interessando pela profiss\u00e3o. At\u00e9 que chegou um momento em que comecei a escrever alguns textos, principalmente voltados para o esporte. Tudo come\u00e7ou assim.<\/p>\n<p><strong>Creio que a profiss\u00e3o j\u00e1 deve ter lhe proporcionado v\u00e1rias experi\u00eancias positivas. Tem alguma bacana que voc\u00ea possa contar? Algo que tenha realmente te marcado durante a carreira.<\/strong><\/p>\n<p>Houve algumas entrevistas que fiz com jogadores dos quais eu gostava. \u00cddolos mesmo. Cobri Jogos Regionais e vieram v\u00e1rios atletas famosos para Franca. Falei com o Xuxa, o Gustavo Borges&#8230; Conversei e convivi com atletas do futebol dos quais eu era f\u00e3. Nos jogos das estrelas que o jornal realizava em parceria com outras empresas, entrevistei e cheguei a jogar bola com caras como o Cafu, Roberto Carlos, Washington e Caio Ribeiro, hoje comentarista da Globo. Ent\u00e3o, a gente acaba vivenciando passagens como essas, sabe? Ainda pude ver o auge do basquetebol de Franca, vi o time ser campe\u00e3o brasileiro e entrevistei v\u00e1rios jogadores da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Basquete. Falei com H\u00e9lio Rubens, pude v\u00ea-lo jogar e vencer v\u00e1rios t\u00edtulos como jogador e treinador. Teve o Guerrinha, o Fausto, o pr\u00f3prio Helinho&#8230; Tive o prazer de ver v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es do esporte. Estou h\u00e1 20 anos nessa \u00e1rea. \u00c9 muito bacana.<\/p>\n<p><strong>E existiu alguma hist\u00f3ria triste nesse caminho?<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do jornal a gente j\u00e1 fez de tudo, n\u00e9? Em uma \u00e9poca em que fui fot\u00f3grafo, acabei indo em muitas ocorr\u00eancias. J\u00e1 vi v\u00e1rios acidentes graves. Coisas daquelas que a gente v\u00ea, n\u00e3o se conforma e acaba repensando na vida. Tamb\u00e9m houve epis\u00f3dios em que fiz alguma mat\u00e9ria que acabou n\u00e3o agradando outras pessoas. A\u00ed acontece de virem te questionar por uma not\u00edcia negativa. Por\u00e9m, tudo o que fazemos \u00e9 embasado. No geral, essa \u00e9 uma profiss\u00e3o muito prazerosa. O Jornalismo tem a sua parte triste, tem algumas not\u00edcias desagrad\u00e1veis que voc\u00ea precisa dar independentemente de qualquer coisa, mas te entrega muita coisa gostosa e boa de participar.<\/p>\n<p><strong>Qual foi a coisa mais maluca que voc\u00ea j\u00e1 presenciou trabalhando? Algo que tenha at\u00e9 mesmo te assustado durante o of\u00edcio.<\/strong><\/p>\n<p>O que acontece de maluco na profiss\u00e3o \u00e0s vezes n\u00e3o tem nem a ver com a mat\u00e9ria. \u00c9 quando voc\u00ea conhece algu\u00e9m diferente, que voc\u00ea passa a trabalhar junto, algumas brincadeiras que rolam na reda\u00e7\u00e3o&#8230; S\u00e3o viagens que voc\u00ea faz para cobrir algo e acontece alguma coisa no caminho. Em termos de mat\u00e9ria, acho que n\u00e3o teve nada. Mas levando em conta o companheirismo e as amizades formadas, foram muitas coisas. Colegas de profiss\u00e3o entrando em enrascadas e a gente acaba indo junto [risos]. \u00c9 esse tipo de situa\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea j\u00e1 fez algo de errado e acabou tendo \u201ca orelha puxada\u201d pelos seus superiores?<\/strong><\/p>\n<p>Mais ou menos [risos]. Quando eu tinha por volta de 17 anos, passei a treinar no time de juniores da Francana. Isso ao mesmo tempo em que trabalhava no jornal. Na \u00e9poca, teve um come\u00e7o de temporada e fui me apresentar ao clube junto com os jogadores no meu hor\u00e1rio de trabalho. Nisso, estava l\u00e1 um fot\u00f3grafo do Com\u00e9rcio da Franca e acabei aparecendo nas fotos dele, l\u00e1 no meio dos atletas. Quando entregaram as fotografias pro meu patr\u00e3o, o j\u00e1 falecido Corr\u00eaa Neves, ele percebeu a minha presen\u00e7a. Eu fui chamado na sala dele e o que escutei foi \u201ceu tenho todos os motivos para te mandar embora. Voc\u00ea estava em outro lugar, fazendo outra coisa, enquanto deveria estar trabalhando\u201d. Contei a ele que eu tinha o sonho de ser jogador. Acho que isso mexeu com ele, que gostava muito de futebol e chegou at\u00e9 a ser presidente da Francana. Acabou que eu fui perdoado e ele permitiu que eu fosse treinar uma vez na semana. Mas, de in\u00edcio, levei uma baita bronca. Quase perdi o meu emprego.<\/p>\n<p><strong>Qual assunto voc\u00ea mais gosta de cobrir nas reportagens?<\/strong><\/p>\n<p>Como fiquei muito tempo no meio dos esportes, \u00e9 o assunto que mais gosto de falar. Adoro escrever sobre e ir aos eventos. Fiquei a minha vida toda correndo atr\u00e1s da Francana e do Franca Basquete, que s\u00e3o os times locais. Foram v\u00e1rias narra\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00f5es em r\u00e1dio. Coberturas de campeonatos externos tamb\u00e9m. Narrei o Campeonato Brasileiro no est\u00e1dio Santa Cruz, em Ribeir\u00e3o Preto, fui tamb\u00e9m para S\u00e3o Paulo&#8230; \u00c9 muito prazeroso para mim. Hoje, fa\u00e7o mat\u00e9rias que envolvem todas as \u00e1reas, mas o esporte \u00e9 apaixonante.<\/p>\n<p><strong>Em algum momento voc\u00ea pensou em mudar de \u00e1rea e abandonar a vida de rep\u00f3rter?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o! Apesar de que, quando estava com uns 20 anos, ainda come\u00e7ando no jornal, prestei concurso para ser policial. Fiz para tenente no Barro Branco, para pol\u00edcia em Ribeir\u00e3o Preto e passei em todos os exames. Por\u00e9m, n\u00e3o me chamaram. O meu irm\u00e3o at\u00e9 passou e foi policial por uns dez anos. Mas foi a \u00fanica tentativa de outra coisa. Eu me enraizei mesmo nos jornais, onde estou at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 um jornalista que n\u00e3o passou pela faculdade. Qual a sua opini\u00e3o sobre a o diploma de jornalismo? Ele \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que tudo seja importante. Quando voc\u00ea faz um curso e se especializa em uma determinada mat\u00e9ria, isso precisa ser reconhecido. Sou a favor do diploma. Por\u00e9m, precisamos tamb\u00e9m levar em conta as hist\u00f3rias de alguns grandes jornalistas que n\u00e3o fizeram faculdade. Na verdade, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o cheia de controv\u00e9rsias, n\u00e9? Uma ju\u00edza deferiu o registro para alguns jornalistas que possuem trabalhos e eu, inclusive, tenho esse registro profissional mesmo sem ter feito faculdade. O diploma \u00e9 important\u00edssimo, claro. Mas acredito que o dia a dia na profiss\u00e3o tenha um grande valor. Em todos esses anos fazendo mat\u00e9rias, sendo editor, redator e rep\u00f3rter, a gente acaba passando muita coisa pro pessoal mais novo na \u00e1rea. Eles adquirem muito conhecimento na pr\u00e1tica. As duas coisas s\u00e3o valiosas: a teoria e a pr\u00e1tica. Por\u00e9m, repito: o diploma \u00e9 importante. Hoje, muitas grandes empresas o exigem na hora de contratar.<\/p>\n<p><strong>Mudando um pouco de assunto, a pandemia chegou at\u00e9 n\u00f3s no in\u00edcio de 2020. Como foi para voc\u00ea, que trabalha h\u00e1 mais de 25 anos, vendo gente, trocando experi\u00eancias e palavras com outras pessoas todos os dias, precisar dar uma pausa nisso? Foi um baque muito forte?<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma mudan\u00e7a gigantesca. Com a pandemia, precisamos nos reinventar. Isso valeu para tudo: procurar mat\u00e9ria, conversar, entrevistar e ir at\u00e9 os locais onde ocorreram os fatos. Antes, n\u00f3s consegu\u00edamos ter um contato mais direto. Agora, boa parte das coisas \u00e9 feita por meio de videoconfer\u00eancia ou por celular. Aquele contato meio que acabou. Algumas vezes, por exemplo, mat\u00e9rias repercutem e n\u00e3o ficamos nem sabendo quem deu o depoimento, por conta de ser s\u00f3 por \u00e1udio. Alterou muito a forma de se correr atr\u00e1s da not\u00edcia. Teve um afastamento entre rep\u00f3rter e fonte. Mas nos adaptamos.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea pensa que todo esse surto afetou o Jornalismo? O que voc\u00ea tirou de li\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A gente aprendeu que existem outros meios de se obter informa\u00e7\u00f5es, n\u00e9? Fomos for\u00e7ados a sair de nossa zona de conforto. Al\u00e9m disso, teve a parte de voc\u00ea precisar evitar ao m\u00e1ximo o contato com outras pessoas e, ainda assim, continuar tendo que buscar tudo e todos os dados ao mesmo tempo. Foi um grande desafio.<\/p>\n<p><strong>No caminho inverso, o que voc\u00ea acha que a pandemia nos ensinou a n\u00e3o fazer?<\/strong><\/p>\n<p>Creio que foi tudo com rela\u00e7\u00e3o ao contato. Acabamos, de certa maneira, nos afastando um pouco de nossa fam\u00edlia, devido \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o e medo de poder passar alguma doen\u00e7a como essa para nossos entes. Fora o receio de sair, ir a um supermercado e fazer compras. \u00c9 uma nova realidade. Sinceramente, n\u00e3o sei se nos ensinou a fazer ou n\u00e3o as coisas. \u00c9 dif\u00edcil responder essa pergunta. Mas que precisaram acontecer v\u00e1rias mudan\u00e7as, isso n\u00e3o tem como negar. Tivemos que aprender a conviver de longe e continuar apresentando resultados.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acompanhou v\u00e1rias hist\u00f3rias de pessoas que contra\u00edram a Covid-19. Como foi tentar conversar com elas para contar suas caminhadas em meio a todo esse drama?<\/strong><\/p>\n<p>No come\u00e7o da pandemia, eu, realmente, fui o rep\u00f3rter mais exigido pela editoria com rela\u00e7\u00e3o a sair, entrevistar e contar as hist\u00f3rias dessas pessoas. Por\u00e9m, foi bem complicado. A pandemia \u00e9 algo que ningu\u00e9m conhece direito. \u00c9 um v\u00edrus desconhecido e ningu\u00e9m tem dados concretos a seu respeito. Ent\u00e3o, no come\u00e7o, as pessoas sa\u00edam dos hospitais, iam para as suas casas, mas n\u00e3o queriam falar sobre o assunto. Tinha todo o trabalho de procurar um familiar, para que ele fizesse a ponte entre o rep\u00f3rter e o entrevistado, por\u00e9m, as pessoas que contra\u00edram a doen\u00e7a tinham que aceitar falar. No in\u00edcio, o povo tinha muito preconceito. Quem pegava a Covid-19 n\u00e3o queria se expor e acabava se escondendo. Principalmente nos primeiros casos. Foi muito dif\u00edcil. A gente falava com filhos, filhas, esposos e esposas para tentar convencer os pacientes a contar o que passaram. Muitas vezes, isso n\u00e3o dava certo. Agora, quando acontecia, apareciam outras preocupa\u00e7\u00f5es. Vinha todo aquele cuidado para n\u00e3o se infectar e tamb\u00e9m o zelo para tentar tirar toda informa\u00e7\u00e3o que essas pessoas tinham. Tentamos fazer com que elas ajudassem na conscientiza\u00e7\u00e3o do resto da popula\u00e7\u00e3o. A\u00ed, depois das entrevistas, vinha o medo. Voc\u00ea chega em casa, toma um banho, se limpa e troca de roupa, mas fica com aquilo na cabe\u00e7a: \u201cSer\u00e1 que eu peguei coronav\u00edrus?\u201d. Tive medo de beijar a minha filha, para voc\u00ea ter uma ideia. \u00c9 um processo complexo. Tem o antes, o durante e o depois.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2384\" aria-describedby=\"caption-attachment-2384\" style=\"width: 1300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2384\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fradique-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"975\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fradique-2.jpg 1300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fradique-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fradique-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fradique-2-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2384\" class=\"wp-caption-text\">Fradique lamenta ter visto jogadores abandonarem carreira com a pandemia (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>E para voc\u00ea, que sempre fez reportagens relacionadas ao esporte, como foi vivenciar isso tudo?<\/strong><\/p>\n<p>Os esportes ficaram paralisados por muito tempo. Ent\u00e3o, onde trabalho, acabaram aparecendo mat\u00e9rias sobre v\u00e1rios outros assuntos. Por\u00e9m, mesmo com a pausa, tive que me apegar aos bastidores e procurar saber o que os times estavam fazendo, como os jogadores estavam treinando e o que os atletas faziam para se sustentar paralelamente. Sempre tem a not\u00edcia. Para mim, foi um pouco tranquilo, j\u00e1 que fa\u00e7o coberturas sobre outros assuntos. Ent\u00e3o, preencheu um pouco o espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Se \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel, voc\u00ea pensa que a pandemia pode trazer algo de bom para os esportes?<\/strong><\/p>\n<p>Ficou tudo parado por mais ou menos seis meses. \u00c9 complicado. A gente viu at\u00e9 jogador desistir da profiss\u00e3o e procurar outra coisa para fazer. Nos clubes do interior, isso aconteceu muito. \u00c9 uma parte muito triste. Acredito que, na parte das precau\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 em mudan\u00e7as de regras, pode haver algo positivo. Os atletas v\u00e3o passar a se cuidar melhor e as institui\u00e7\u00f5es se preocupar\u00e3o mais com exames. Por\u00e9m, o esporte \u00e9 o p\u00fablico, o contato, a comemora\u00e7\u00e3o e o abra\u00e7o. Sem essas coisas, n\u00e3o tem nada. E a pandemia nos privou de boa parte disso.<\/p>\n<p><strong>Tirando um pouco o foco da pandemia. O jornalismo vem em uma constante mudan\u00e7a. Presenciamos o fim de v\u00e1rios jornais impressos e a ascens\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o online. Voc\u00ea acha que essa varia\u00e7\u00e3o vai continuar?<\/strong><\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que continuem, sim, ocorrendo as mudan\u00e7as, mas n\u00e3o nessa velocidade que em que aconteceram. Os jornais impressos acabaram de repente, ningu\u00e9m mais vai nas bancas e tudo est\u00e1 na palma da nossa m\u00e3o. Os donos dos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o precisaram investir no digital. Creio que tudo continuar\u00e1, por algum tempo, caminhando assim, na internet. Por\u00e9m, a tecnologia n\u00e3o para nunca. N\u00e3o podemos descartar nada. Alguma coisa nova com certeza vai aparecer e n\u00f3s, rep\u00f3rteres, teremos que acompanhar. N\u00e3o podemos parar no tempo. O jornalismo n\u00e3o aceita isso.<\/p>\n<p><strong>E a quest\u00e3o das r\u00e1dios? Na sua opini\u00e3o, o AM e o FM est\u00e3o no fim de seus dias?<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o AM, sem d\u00favidas, vai acabar. J\u00e1 existe at\u00e9 uma lei para que todas as r\u00e1dios passem para a frequ\u00eancia FM. Por\u00e9m, n\u00e3o acredito que o r\u00e1dio v\u00e1 acabar de vez. Ele possui uma ess\u00eancia pr\u00f3pria, esteja a pessoa escutando em um aparelho antigo ou em um aplicativo. Haver\u00e1 mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es, mas acho que n\u00e3o acaba.<\/p>\n<p><strong>Hoje, voc\u00ea acredita que o jornalista precisa fazer de tudo? Por exemplo, quem trabalha com esportes precisa saber narrar, comentar, fazer reportagens de campo e, ap\u00f3s o jogo, escrever um bom relato? Cada vez mais, o jornalismo exige que sejamos \u201cprofissionais 360\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>As coisas mudaram muito de uns tempos para c\u00e1. Hoje, se voc\u00ea \u00e9 s\u00f3 fot\u00f3grafo ou s\u00f3 rep\u00f3rter, perde espa\u00e7o. O profissional precisa ser multim\u00eddia. Ele precisa sair, fazer a imagem, o texto, a sonora e qualquer coisa a mais que for pedido. A\u00ed sim, ele ter\u00e1 espa\u00e7o nas empresas. Atualmente, se a pessoa sai com uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica s\u00f3 para fazer o clique, por exemplo, e depois volta para a empresa, n\u00e3o tem espa\u00e7o. Quem tem a vaga \u00e9 o cara que sai, faz o relato, a fotografia, o v\u00eddeo e os \u00e1udios. Al\u00e9m disso, o jornalismo \u00e9 t\u00e3o din\u00e2mico que n\u00e3o existe mais aquilo de voc\u00ea sentar em uma mesa s\u00f3 para escrever o texto. Muita coisa \u00e9 feita pelo celular. Voc\u00ea v\u00ea algo, registra, faz e envia o texto na hora.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea almeja para a continuidade da sua carreira? Quer seguir fazendo o que faz aqui no GCN ou pretende mudar de ares futuramente?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, Lucas, eu sou um cara mais veterano [risos]. J\u00e1 tive os meus momentos de sair e tentar novas coisas. Trabalhei inicialmente em Franca, fui para Ribeir\u00e3o Preto, estive em v\u00e1rios jornais e r\u00e1dios, montei uma ag\u00eancia de publicidade, fui comentarista, rep\u00f3rter, editor, fiz algumas vezes o papel de narrador em jogos e acabei voltando para trabalhar aqui em Franca. Por\u00e9m, quem est\u00e1 come\u00e7ando &#8211; voc\u00eas, jornalistas em forma\u00e7\u00e3o &#8211; precisa pensar grande, esperar coisas grandes. Se voc\u00ea est\u00e1 em Franca, pensa em S\u00e3o Paulo. Se est\u00e1 em S\u00e3o Paulo, pensa em ir para a Globo. A pessoa que est\u00e1 na faculdade tem que pensar no William Bonner, na F\u00e1tima Bernardes, sabe? Voc\u00ea tem que tentar chegar. A caminhada \u00e9 dura. \u00c9 igual no futebol: de mil jogadores, um vai virar Neymar. Mas, se voc\u00ea n\u00e3o pensar l\u00e1 em cima, acaba n\u00e3o dando os menores passos, que s\u00e3o muito necess\u00e1rios. Quem est\u00e1 no come\u00e7o precisa sonhar. Eu, por mais que tenha sa\u00eddo e voltado, nunca vou parar de sonhar. Enquanto estivermos vivos, n\u00f3s sonharemos.<\/p>\n<p><strong>Finalizando, voc\u00ea \u00e9 feliz com tudo o que conquistou?<\/strong><\/p>\n<p>Muito! Sou muito realizado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as hist\u00f3rias do jornalista Nilson Fradique, do GCN, est\u00e1 a de que quase foi demitido por causa do futebol<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2383,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-2381","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pratica-do-jornalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2381"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2422,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2381\/revisions\/2422"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}