{"id":2177,"date":"2021-04-09T02:14:42","date_gmt":"2021-04-09T02:14:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2177"},"modified":"2021-04-09T22:00:53","modified_gmt":"2021-04-09T22:00:53","slug":"vai-carolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=2177","title":{"rendered":"Vai, Carolina!"},"content":{"rendered":"<p><em>Gabriela Buranelli, ex-aluna de Jornalismo da Unifran, defende mestrado sobre a escritora negra Carolina Maria de Jesus<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>S<\/strong><strong>ergio Nascimento<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Gabriela em momento de comemora\u00e7\u00e3o, pela conclus\u00e3o de pesquisa que analisou manchetes de jornais sobre a escritora, que passou por Franca (Acervo pessoal) <\/strong><\/p>\n<p>\u201cAs formula\u00e7\u00f5es para Carolina Maria de Jesus e Quarto de Despejo: interpreta\u00e7\u00e3o e efeitos de sentido das designa\u00e7\u00f5es em manchetes de jornais\u201d. Este foi o tema do mestrado de Gabriela Moreira Buranelli, ex-aluna de Jornalismo da Unifran, no programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica da \u00a0universidade. A defesa foi realizada no dia 9 de mar\u00e7o, com banca composta pela orientadora do trabalho, Prof\u00aa Aline de Azevedo Bocchi, al\u00e9m de outras duas docentes:\u00a0 Luciana Garcia Manzano, tamb\u00e9m da Unifran, e Gloria Fran\u00e7a, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA).<\/p>\n<p>Gabriela come\u00e7ou a gradua\u00e7\u00e3o em 2015 na Universidade de Ribeir\u00e3o Preto (Unaerp). No ano seguinte, se transferiu para a Unifran, onde conheceu a professora Marilia Giselda Rodrigues, que convidou a estudante a pesquisar a hist\u00f3ria de Carolina, por meio do programa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Foram dois anos de estudos, at\u00e9 que Gabriela teve a oportunidade de continuar na tem\u00e1tica no Projeto Experimental de Conclus\u00e3o de Curso (TCC), produzindo um document\u00e1rio sobre a vida e obra de Carolina com os amigos Carolina Castro e P\u00e1bolo Oliveira. \u201cFoi a oportunidade de continuar falando sobre Carolina de Jesus, levar o nome dela para mais pessoas, j\u00e1 que ela n\u00e3o tem muito reconhecimento\u201d. Durante o trabalho, desenvolvido ao longo de um ano, costumava usar, nas redes sociais, a express\u00e3o \u201cVai, Carolina\u201d, justamente para incentivar o reconhecimento dos escritos da autora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2180\" aria-describedby=\"caption-attachment-2180\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2180\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/foto-2-gabi-e1617934076217.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"650\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2180\" class=\"wp-caption-text\">Gabriela com Mar\u00edlia, que apresentou Carolina na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas o projeto, que se chamou \u201c<a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2019\/07\/29\/o-quarto-de-carolina\/\">O quarto de Carolina<\/a>\u201d, orientado pelos professores Igor Savenhago e Jos\u00e9 Augusto Reis, traria ainda outras possibilidades. Uma delas foi o contato com a filha de Carolina, Vera Eunice, e com outros pesquisadores sobre literatura. Os estudantes tamb\u00e9m levaram o nome de Carolina a palestras em escolas, n\u00e3o s\u00f3 de Franca, como tamb\u00e9m Batatais, Sacramento-MG, cidade natal da escritora, entre outras.<\/p>\n<p>Carolina Maria de Jesus foi uma das primeiras negras a ter livro publicado no Brasil. Catadora de papel e moradora de favela, narrava as dificuldades da vida em folhas de cadernos que encontrava no lixo. At\u00e9 que, na d\u00e9cada de 1950, esse material foi descoberto pelo jornalista Aud\u00e1lio Dantas, que fazia uma reportagem sobre o crescimento da favela do Canind\u00e9, onde Carolina vivia com os filhos. Ele decidiu ajud\u00e1-la a organizar o material, que deu origem ao primeiro livro, Quarto de Despejo, lan\u00e7ado em 1960 e considerado a obra mais importante dela. Outras viriam depois, mas n\u00e3o com a mesma repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de chegar a S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, Carolina, que nasceu em Sacramento em 14 de mar\u00e7o de 1914, neta de escravos e de uma lavadeira muito pobre, passou por cidades do sul de Minas e do interior paulista, como Uberaba, Franca, Orl\u00e2ndia e Ribeir\u00e3o Preto, at\u00e9 se estabelecer na capital paulista em 1947, onde construiu o pr\u00f3prio barraco na favela do Canind\u00e9. Foi parar l\u00e1 quando o governador Adhemar de Barros mandou recolher mendigos e coloc\u00e1-los num terreno perto do rio Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>Para Gabriela, o mestrado foi uma forma de dar continuidade \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o dessa trajet\u00f3ria. \u201cQuando terminei a faculdade, ainda estava muito ligada \u00e0 pesquisa. Ent\u00e3o, decidi prestar o mestrado na pr\u00f3pria universidade, e assim me veio a oportunidade de pesquisar e trabalhar mais uma vez com Carolina.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2181\" aria-describedby=\"caption-attachment-2181\" style=\"width: 860px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2181\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/foto-3-Gabi.jpg\" alt=\"\" width=\"860\" height=\"500\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2181\" class=\"wp-caption-text\">Carolina foi descoberta na favela do Canind\u00e9 pelo jornalista Aud\u00e1lio Dantas (Foto: Banco de imagens)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriela Buranelli, ex-aluna de Jornalismo da Unifran, defende mestrado sobre a escritora negra Carolina Maria de Jesus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2185,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-2177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia-transformadora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2177"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2190,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2177\/revisions\/2190"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}