{"id":1874,"date":"2020-12-01T17:46:08","date_gmt":"2020-12-01T17:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=1874"},"modified":"2020-12-01T17:52:07","modified_gmt":"2020-12-01T17:52:07","slug":"bocas-gritando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=1874","title":{"rendered":"Bocas gritando&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>S\u00e9rie com quatro reportagens aborda a falta de visibilidade e os preconceitos sofridos pela popula\u00e7\u00e3o negra em Franca<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Gabriela Sturaro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Talita Souza<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima: Talita Souza e Gabriela Sturaro com o poeta Carlos de Assump\u00e7\u00e3o, no lan\u00e7amento do filme &#8220;Carlos de Assump\u00e7\u00e3o: Protesto&#8221; (Acervo Min\u00f4 Comunica\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>A cultura negra em Franca-SP \u00e9 o tema da s\u00e9rie de reportagens \u201cBocas que gritam contra a crueldade\u201d, composta por quatro textos, cujo objetivo \u00e9 falar sobre os obst\u00e1culos e conquistas do Movimento Negro francano. Os temas s\u00e3o: 1) a vida e a obra do poeta Carlos de Assump\u00e7\u00e3o, um dos fundadores e principais nomes do movimento; 2) a trajet\u00f3ria do pr\u00f3prio movimento e a hist\u00f3ria dos escravos na cidade; 3) o artesanato de Dona Evelline; e 4) o teatro do Grupo Corpo Negro.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie \u00e9 resultado das pesquisas para o Projeto Experimental do curso de Jornalismo da Unifran. Desde o segundo semestre de 2019, quando o projeto come\u00e7ou a ser pensado, a proposta era dar voz \u00e0s minorias sociais, uma das principais miss\u00f5es do Jornalismo. Esta s\u00e9rie de reportagens surgiu a partir de Carlos de Assump\u00e7\u00e3o. Aos 93 anos, ele \u00e9 uma refer\u00eancia para os negros francanos e, aos poucos, vai vendo seu nome de expandindo para outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro contato foi na casa dele. Uma tarde inteira ouvindo sobre a vinda para Franca e a cria\u00e7\u00e3o dos primeiros grupos do Movimento Negro na cidade. Um gatilho para que todas as outras pautas tivessem alguma rela\u00e7\u00e3o com o movimento.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa foi a realiza\u00e7\u00e3o das pesquisas. Nesta fase, se percebeu que o tema aparece muito pouco na imprensa local e regional. Era escasso, tamb\u00e9m, o material bibliogr\u00e1fico, o que denuncia a invisibilidade da popula\u00e7\u00e3o negra na hist\u00f3ria. Com isso, a ideia central do projeto \u00e9 fomentar uma discuss\u00e3o que contribua, mesmo que de forma singela, para mudar esse quadro.<\/p>\n<p>Foi por meio de Assump\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m veio o nome da s\u00e9rie. No poema \u201cProfecia\u201d, publicado pela primeira vez em 2017, na fanzine \u201cPoemas Escolhidos\u201d, da Artefato Edi\u00e7\u00f5es, e depois em 2020, na p\u00e1gina 143 do livro \u201cN\u00e3o pararei de gritar\u201d, da Companhia das Letras, o poeta reflete sobre a discrimina\u00e7\u00e3o sofrida pelo povo negro e destaca que \u201cs\u00e3o milh\u00f5es de bocas gritando contra a crueldade\u201d imposta pela elite do pa\u00eds. O t\u00edtulo faz refer\u00eancia ainda ao papel do jornalista em quest\u00f5es como essa, de indigna\u00e7\u00e3o e den\u00fancia. Confira o poema \u201cProfecia\u201d na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um mais um somos mais do que dois<\/em><\/p>\n<p><em>Somos talvez milh\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><em>De bocas gritando<\/em><\/p>\n<p><em>Contra a crueldade<\/em><\/p>\n<p><em>Que a elite do pa\u00eds nos imp\u00f5e<\/em><\/p>\n<p><em>Um mais um somos mais do que dois<\/em><\/p>\n<p><em>Somos milh\u00f5es de quilombolas<\/em><\/p>\n<p><em>Milh\u00f5es de guerreiros<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Amanh\u00e3<\/em><\/p>\n<p><em>Com toda a certeza<\/em><\/p>\n<p><em>A muralha do mal vai cair<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>T\u00e1 escrito nas estrelas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por meio das reportagens, publicadas de 27 a 30 de novembro, marcando o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra, \u00e9 poss\u00edvel conhecer alguns dos principais grupos e coletivos que fazem parte do movimento e nomes que inspiram essa luta, tanto localmente quanto no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode encontrar outras informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto nas p\u00e1ginas da Min\u00f4 Comunica\u00e7\u00e3o, assessoria criada para gerenciar o projeto. Seja atrav\u00e9s do <a href=\"http:\/\/facebook.com\/minocomunicacao\">Facebook<\/a> ou do <a href=\"http:\/\/instagram.com\/minocomunicacao\">Instagram<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1877\" aria-describedby=\"caption-attachment-1877\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1877\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05.jpeg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05.jpeg 960w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05-300x208.jpeg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05-768x533.jpeg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05-392x272.jpeg 392w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-11-24-at-16.16.05-130x90.jpeg 130w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1877\" class=\"wp-caption-text\">Membros do Conselho Municipal de Participa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca (COMDECON) reunidos na Casa da Cultura &#8220;Abdias do Nascimento&#8221; (Foto: Gabriela Sturaro)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>CONFIRA UMA PR\u00c9VIA DAS REPORTAGENS:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voz em Movimento<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO coletivo \u00e9 quem manda. O coletivo \u00e9 quem faz. Ningu\u00e9m faz nada sozinho\u201d. \u00c9 dessa forma que Carlos de Assump\u00e7\u00e3o procura dar eco aos seus escritos de resist\u00eancia contra a opress\u00e3o. Aos 93 anos, completados em 23 de maio, e considerado, por quem o conhece, um <em>griot<\/em> \u2013 palavra de origem africana usada para denominar algu\u00e9m com o dom de preservar e transmitir hist\u00f3rias, conhecimentos e cultura de um povo \u2013, o poeta afirma, convicto, que o racismo n\u00e3o deve ser visto, apenas, como um problema do negro, mas de toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cO racismo n\u00e3o prejudica s\u00f3 o negro. Prejudica o branco racista e o pa\u00eds. Porque somos a maioria da popula\u00e7\u00e3o e estamos quase todos na marginalidade. Infelizmente, \u00e9 o que ocorre no Brasil\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/27\/voz-em-movimento\/\">Clique aqui para ler na \u00edntegra<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2018Tem que ser de luta\u2019<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA luta dos negros \u00e9 uma quest\u00e3o da humanidade. O branco tem um papel muito importante de entender essa luta. E tamb\u00e9m n\u00e3o basta ser negro, tem que ser de luta. Tem que criar a\u00e7\u00f5es beneficentes para a comunidade\u201d.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de Carlos Eduardo da Silva, conhecido como Du, presidente do Conselho Municipal de Participa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca (COMDECON), e expressa uma busca por respeito. Uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou a ser escrita h\u00e1 mais de 200 anos, desde quando foram registradas as primeiras presen\u00e7as de escravos africanos por essas terras, mas que s\u00f3 foi materializada em forma de movimento h\u00e1 quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/28\/tem-que-ser-de-luta\/\">Clique aqui para ler na \u00edntegra<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Boneca preta<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, Evelline Souza, ou simplesmente Dona Evelline, hoje com 58 anos, se mudou de Barretos para Franca. Acompanhava o filho, Jo\u00e3o, contratado para jogar pelo SESI Franca Basquete. Mas a origem dela est\u00e1 no Rio de Janeiro. Nasceu e se criou l\u00e1. A chegada ao interior de S\u00e3o Paulo foi, tamb\u00e9m, motivada por Jo\u00e3o, cujo primeiro convite foi para jogar na terra do pe\u00e3o de boiadeiro.<\/p>\n<p>O rapaz evoluiu r\u00e1pido na modalidade e chamou a aten\u00e7\u00e3o da equipe francana. A passagem por Barretos foi curta, menos de um ano, mas suficiente para que Dona Evelline encontrasse o Movimento Negro de l\u00e1. Queria se integrar, porque j\u00e1 participava de a\u00e7\u00f5es semelhantes no Rio. Como a mudan\u00e7a foi r\u00e1pida, continuou essa busca em Franca, onde se aproximou, inicialmente, do coletivo \u201cAs Pretas\u201d, um grupo que trabalha pela produtividade da mulher negra.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/29\/boneca-preta\/\">Clique aqui para ler na \u00edntegra<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Corpo Negro<\/strong><\/p>\n<p>Foi em 2016 que Josiana Martins, Kauane Ketholin, Gabriel Saqueto e Rodrigo Raphael, estudantes do curso t\u00e9cnico de Teatro do Servi\u00e7o Nacional do Com\u00e9rcio (Senac) de Franca e fundadores do Grupo Corpo Negro, come\u00e7aram a perceber a aus\u00eancia de negros, seja representando ou assistindo. .<\/p>\n<p>Josiana conta que assistiam a uma pe\u00e7a no Teatro SESI, sobre cultura africana. Havia apenas uma atriz negra em cena e poucas pessoas negras nas cadeiras. \u201cUmas cinco. N\u00f3s nos incomodamos e come\u00e7amos a debater\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/30\/teatro-negro\/\">Clique aqui para ler na \u00edntegra<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie com quatro reportagens aborda a falta de visibilidade e os preconceitos sofridos pela popula\u00e7\u00e3o negra em Franca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1878,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1874","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-alternativa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1874"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1880,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1874\/revisions\/1880"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}