{"id":1830,"date":"2020-11-29T19:26:24","date_gmt":"2020-11-29T19:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=1830"},"modified":"2020-11-29T19:30:33","modified_gmt":"2020-11-29T19:30:33","slug":"boneca-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendasette.com.br\/?p=1830","title":{"rendered":"Boneca preta"},"content":{"rendered":"<p><em>A exemplo das Abayomi, figuras como a artes\u00e3 Evelline Souza resgatam a ancestralidade e d\u00e3o protagonismo \u00e0 hist\u00f3ria dos negros\u00a0\u00a0<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Gabriela Sturaro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Talita Souza<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto acima:\u00a0Dona Evelline procurou os grupos e coletivos do Movimento Negro logo que chegou a Franca, em 2015 (Acervo pessoal)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, Evelline Souza, ou simplesmente Dona Evelline, hoje com 58 anos, se mudou de Barretos para Franca. Acompanhava o filho, Jo\u00e3o, contratado para jogar pelo SESI Franca Basquete. Mas a origem dela est\u00e1 no Rio de Janeiro. Nasceu e se criou l\u00e1. A chegada ao interior de S\u00e3o Paulo foi, tamb\u00e9m, motivada por Jo\u00e3o, cujo primeiro convite foi para jogar na terra do pe\u00e3o de boiadeiro.<\/p>\n<p>O rapaz evoluiu r\u00e1pido na modalidade e chamou a aten\u00e7\u00e3o da equipe francana. A passagem por Barretos foi curta, menos de um ano, mas suficiente para que Dona Evelline encontrasse o Movimento Negro de l\u00e1. Queria se integrar, porque j\u00e1 participava de a\u00e7\u00f5es semelhantes no Rio. Como a mudan\u00e7a foi r\u00e1pida, continuou essa busca em Franca, onde se aproximou, inicialmente, do coletivo \u201cAs Pretas\u201d, um grupo que trabalha pela produtividade da mulher negra.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1837\" aria-describedby=\"caption-attachment-1837\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1837\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Evelline-2.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Evelline-2.jpg 960w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Evelline-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Evelline-2-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1837\" class=\"wp-caption-text\">Recebendo homenagem no Dia da Consci\u00eancia Negra em 2019 (Foto: Pablo Fernando\/COMDECON)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cNos reunimos, \u00e0s vezes, para apresentar nossos produtos. Mas o coletivo tem alguns desdobramentos. Temos um trabalho e arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e distribui\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo da Consci\u00eancia Negra, a prefeitura apoia o COMDECON e, juntos, fazemos feiras e eventos nas pra\u00e7as. \u00c9 um coletivo bastante ativo,\u201d conta Dona Evelline.<\/p>\n<p>Nesta terceira reportagem da s\u00e9rie &#8220;Bocas gritando contra a crueldade&#8221;, sobre a cultura negra em Franca (clique para ver a <a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/27\/voz-em-movimento\/\">primeira<\/a> e a <a href=\"https:\/\/agendasette.com.br\/2020\/11\/28\/tem-que-ser-de-luta\/\">segunda<\/a>), voc\u00ea vai saber como ela se tornou conhecida no movimento, como lida com o preconceito e quais caminhos enxerga para as quest\u00f5es raciais.<\/p>\n<p>Logo que chegou a Franca, Dona Evelline fez uma pesquisa na internet e encontrou o site da loja \u201cBoneca Preta\u201d. Foi visitar e conheceu Jana\u00edna Santos, a dona do lugar. \u201cVi o link e falei: \u2018Poxa, Boneca Preta, uma loja na cidade. Vou l\u00e1!\u2019\u201d. Foi Jana\u00edna quem apresentou \u201cAs Pretas\u201d. \u201cNa primeira reuni\u00e3o do coletivo, ela j\u00e1 foi acolhida. Come\u00e7ou a participar, tamb\u00e9m, do \u2018Sarau Protesto\u2019 e de rodas de poesias\u201d, lembra Jana\u00edna, que \u00e9 uma das fundadoras do sarau.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1838\" aria-describedby=\"caption-attachment-1838\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1838\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Evelline-3.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"515\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1838\" class=\"wp-caption-text\">Com Jana\u00edna, propriet\u00e1ria da &#8220;Boneca Preta&#8221; (Foto: Acervo Jana\u00edna)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O primeiro encontro entre as duas foi inusitado. Quando entrou na loja, especializada em roupas femininas, Dona Evelline teve uma surpresa. \u201c\u2018Mo\u00e7a, por que n\u00e3o tem nenhuma boneca preta aqui?\u2019 Ela n\u00e3o soube me dizer. Fiquei doida com isso. Questionei como uma loja com esse nome n\u00e3o tinha bonecas pretas. Foi a\u00ed que comecei a oferecer as bonecas para a Jana\u00edna, e ela passou a vender na loja.\u201d<\/p>\n<p>Jana\u00edna explica como escolheu o nome do estabelecimento. \u201cEstava com meus irm\u00e3os em Miguel\u00f3polis [a 75 quil\u00f4metros de Franca] e vimos uma boneca namoradeira na janela, em uma casa, de artesanato. Meus irm\u00e3os come\u00e7aram a falar da boneca preta e que parecia comigo. Foi quando falei: \u2018nossa, o nome para a loja.\u2019\u201d<\/p>\n<p>Dona Evelline n\u00e3o havia sido a \u00fanica a procurar bonecas ali. Por isso, quando Jana\u00edna aderiu \u00e0 ideia, ganhou ainda mais simpatia dos clientes. \u201cJ\u00e1 no in\u00edcio, as pessoas adoravam ver aquelas bonecas pretas e alguns davam de presente.\u201d<\/p>\n<p>Para Dona Evelline, presente mesmo foi quando conheceu Carlos de Assump\u00e7\u00e3o. \u201cParticipei muito do \u2018Sarau Protesto\u2019. O contato com Carlos aconteceu, justamente, no meu momento de buscas dos pares. Foi uma das primeiras pessoas que conheci em Franca e logo me identifiquei, tamb\u00e9m porque ele \u00e9 advogado e professor. Tivemos uma trajet\u00f3ria parecida.\u201d<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Formada em Direito, ela atuou na \u00e1rea por mais de duas d\u00e9cadas, mas foi no artesanato que encontrou o caminho para empoderar e ajudar a comunidade negra a conhecer um pouco mais sobre sua hist\u00f3ria e ancestralidade. Conta que, mesmo antes de se mudar para Franca, as pe\u00e7as que produz, como as bonecas de pano Abayomi, nunca ficaram em segundo plano. Nem quando o Direito demandava bastante aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a lenda sobre as bonecas Abayomi na voz de Dona Evelline:\u00a0<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1830-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Dona-Evelline-Bonecas-Abayomi.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Dona-Evelline-Bonecas-Abayomi.mp3\">http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Dona-Evelline-Bonecas-Abayomi.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m das bonecas, sapatos, turbantes, bolsas, passou a fazer m\u00e1scaras com tecidos africanos a partir da chegada da pandemia de Covid-19. Tamb\u00e9m cria brincos, pulseiras e colares que representam diversas etnias da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Dona Evelline fez o Ensino Fundamental I no Instituto Jesus Eucar\u00edstico, no Iraj\u00e1, at\u00e9 se formar e ir para o II, o antigo Gin\u00e1sio, na Escola Municipal Geni Gomes, no centro do Rio. O pai era rigoroso e levava muito a s\u00e9rio a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. \u201cMeu pai era militar. Foi uma pessoa que trabalhou muito e viveu sozinho. Estudou em uma escola de meninos de rua. A quest\u00e3o educacional foi de fundamental import\u00e2ncia na vida dele e passou isso para os filhos.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s concluir o Gin\u00e1sio, veio o Ensino M\u00e9dio integrado ao magist\u00e9rio, no Col\u00e9gio Estadual J\u00falia Kubitschek. Durante os estudos, trabalhou na loja de um amigo do pai at\u00e9 a formatura. Passou num concurso p\u00fablico e foi ser professora.<\/p>\n<p>Quando assumiu, decidiu frequentar, escondida do pai, as Faculdades Integradas Est\u00e1cio de S\u00e1. Queria cursar Direito, que era visto como profiss\u00e3o masculina. \u201cTive que fazer cinco per\u00edodos sem meu pai saber. Para ele, ser professora era suficiente pra mim. Tinha que come\u00e7ar trabalhando e chega, n\u00e9? Nada de advocacia. Imagina! Profiss\u00e3o de homem e tal\u2026\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_1835\" aria-describedby=\"caption-attachment-1835\" style=\"width: 533px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1835\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.53.49.jpeg\" alt=\"\" width=\"533\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.53.49.jpeg 720w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.53.49-300x217.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1835\" class=\"wp-caption-text\">No III Col\u00f3quio de Ra\u00e7a na Unifran em 2019 (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Havia apenas tr\u00eas pessoas negras na turma. \u201cA primeira decis\u00e3o que tomei s\u00e9ria na vida foi a faculdade de Direito, que era particular, no Rio Comprido. De maneira nenhuma, passava pela minha cabe\u00e7a entrar numa universidade p\u00fablica. O curso era muito caro. Eu era a segunda mulher preta e a terceira pessoa preta na sala\u201d.<\/p>\n<p>Durante o curso, foi convidada por um professor para participar do grupo de jurados do 1\u00ba Tribunal de J\u00fari do Rio de Janeiro, onde atuou por 15 anos. Tamb\u00e9m exerceu a profiss\u00e3o militando em defesa da igualdade racial nas reparti\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. Aos 39 anos, quando ficou gr\u00e1vida do namorado, fazia p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Seguran\u00e7a P\u00fablica e Pol\u00edticas Criminais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta da gesta\u00e7\u00e3o, se casou, mas, quando Jo\u00e3o completou oito anos, a uni\u00e3o chegou ao fim. Decidiu assumir toda a responsabilidade pelo filho. Era o artesanato que ajudava a completar a renda da casa. \u201cApesar de estar como funcion\u00e1ria p\u00fablica, sempre tem um m\u00eas que voc\u00ea gasta mais, que tem uma despesa maior. O que me salvava eram as bonecas, colares, quadros, pinturas&#8230; E nunca faltou nada para a gente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Artesanato<\/strong><\/p>\n<p>O artesanato apareceu quando ela tinha 13 anos. Ap\u00f3s terminar o Ensino Fundamental I, o pai decidiu, paralelamente ao Gin\u00e1sio, pagar um curso de artes visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. \u201cTive a oportunidade de desenvolver minhas habilidades art\u00edsticas. Foi l\u00e1 que tive o primeiro contato com pintura, desenho livre, modelo vivo&#8230; Fui aluna de L\u00e9lia Gonzalez, de Hist\u00f3ria da Arte.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1831\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BOX-L\u00c9LIA-GONZALEZ.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BOX-L\u00c9LIA-GONZALEZ.jpeg 1280w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BOX-L\u00c9LIA-GONZALEZ-300x144.jpeg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BOX-L\u00c9LIA-GONZALEZ-768x370.jpeg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BOX-L\u00c9LIA-GONZALEZ-1024x493.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>E foi com o artesanato que Dona Evelline se tornou mais conhecida no Movimento Negro de Franca. Atualmente, al\u00e9m de integrar o coletivo \u201cAs Pretas\u201d, participa das feiras promovidas pelo Kilombo das Quitandeiras, onde vende suas pe\u00e7as. \u201cSempre amei fazer e sempre fiz. N\u00e3o quis mais me envolver com o Direito, mas mantenho minha carteira ativa. Uso o Direito pra mim, caso precise ajudar um amigo ou fazer uma consultoria. Me aposentei e fa\u00e7o todo esse trabalho artesanal aqui. Amo fazer artesanato.\u201d<\/p>\n<p>O Kilombo \u00e9 um grupo de mulheres que fazem e comercializam artesanato ligado \u00e0 cultura afro-brasileira. Desde boneca at\u00e9 comida. O termo \u201cquitandeiras\u201d designava, na \u00e9poca da escravid\u00e3o, aquelas que tinham autoriza\u00e7\u00e3o para vender seus produtos, mas tinham que dar um percentual para o dono do engenho. \u201cElas iam juntando o dinheiro para comprar a pr\u00f3pria alforria [ato pelo qual um propriet\u00e1rio liberta um escravo] ou a de outros escravos.\u201d<\/p>\n<p>O objetivo do grupo \u00e9 reunir quem tem talento para criar e aptid\u00e3o para vender. S\u00e3o artistas pl\u00e1sticas e visuais, psic\u00f3logas, entre outras, que aproveitam as feiras promovidas pelo COMDECON para marcar presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de expor e vender suas pe\u00e7as, Dona Evelline promove oficinas de bonecas Abayomi em Franca. Conforme algumas lendas, essas bonecas, que s\u00e3o de pano e sem nenhuma costura, eram feitas pelas negras acalmar as crian\u00e7as trazidas em navios negreiros ao Brasil.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es do projeto &#8220;Cad\u00ea nossa boneca?&#8221;, realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Avante Educa\u00e7\u00e3o e Mobiliza\u00e7\u00e3o Social, de Salvador, na Bahia, as bonecas pretas representam apenas 6% dos modelos fabricados pelas principais marcas no Brasil. Por isso, para Dona Evelline, o artesanato \u00e9 uma forma de contribuir para que o povo negro se encontre, trazendo representatividade para os que vivem oprimidos pelo racismo. \u201cRepresentatividade importa, n\u00e9? \u00c9 uma quest\u00e3o muito s\u00e9ria. Muito importante que essas pessoas saibam que temos nossas conquistas e condi\u00e7\u00f5es. Apesar da hist\u00f3ria triste que aconteceu com nossos ancestrais, podemos nos desenvolver.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_1833\" aria-describedby=\"caption-attachment-1833\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1833\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-2.jpeg 1280w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-2-300x169.jpeg 300w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-2-768x432.jpeg 768w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-2-1024x576.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1833\" class=\"wp-caption-text\">Al\u00e9m das bonecas, Dona Evelline faz outras pe\u00e7as, como cal\u00e7ados (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Resgatar a ancestralidade<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, ela considera que a participa\u00e7\u00e3o em grupos e coletivos do Movimento Negro \u00e9 um processo de autocuidado. Como se estivesse sempre em busca de pares. \u201cSe voc\u00ea \u00e9 preta ou se sente preta e est\u00e1 perto de pessoas que tamb\u00e9m s\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 bem. Porque podemos debater sobre quest\u00f5es importantes e que dizem a respeito de n\u00f3s mesmas. A gente d\u00e1 dicas e ensina o autocuidado.\u201d<\/p>\n<p>O coletivo tem um clube de leitura, pelo qual as participantes realizam debates. Uma troca que permite adquirir e passar conhecimento. \u201c\u00c9 muito legal participar de um coletivo. Muito forte essa quest\u00e3o de voc\u00ea ter consigo mesma, mas com rela\u00e7\u00e3o ao outro. Saber algo e ajudar outra pessoa. De nada vale ter conhecimento se ficar s\u00f3 com voc\u00ea. Precisa ajudar e, atrav\u00e9s dos coletivos, fazemos isso.\u201d<\/p>\n<p>Ela avalia o Movimento Negro como algo de extrema import\u00e2ncia, para Franca e para o pa\u00eds, j\u00e1 que \u00e9 por eles que os negros compreendem sua hist\u00f3ria e constroem um elo com sua ancestralidade. \u201c\u00c9 preciso entender o trabalho feito pelo colonizador. N\u00e3o conseguimos nos apropriar nem da nossa pr\u00f3pria l\u00edngua, e isso \u00e9 muito s\u00e9rio. Tudo nosso \u00e9 assim, em fun\u00e7\u00e3o da fala do colonizador e daquilo que ele deixou. Fomos colonizados por europeus e tivemos que seguir, for\u00e7adamente, a cartilha deles, o que permanece at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p>Ao entender isso, segundo Dona Evelline, os negros podem se libertar da falta de liberdade e assumir o dom\u00ednio da pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1834\" aria-describedby=\"caption-attachment-1834\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1834\" src=\"http:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22.jpeg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22.jpeg 960w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-225x300.jpeg 225w, https:\/\/agendasette.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-20-at-11.44.22-768x1024.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1834\" class=\"wp-caption-text\">Bonecas Abayomi s\u00e3o feitas de pano e sem costura: marca de ancestralidade (Foto: Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exemplo das Abayomi, figuras como a artes\u00e3 Evelline Souza resgatam a ancestralidade e d\u00e3o protagonismo \u00e0 hist\u00f3ria dos negros\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1839,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1830","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-alternativa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1830"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1855,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1830\/revisions\/1855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agendasette.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}