Sem telhado

O prédio que abriga o Museu de Franca sofre com goteiras e vazamentos, mas não há interessados na reforma

Hevertom Talles

Foto acima: Fachada do museu, que não recebe manutenções há 22 anos (Hevertom Talles)

Nenhuma empresa se interessou em fazer a reforma do telhado do Museu Municipal José Chiachiri, em Franca. A abertura dos envelopes estava programada para o último dia 16 de outubro, no setor de licitações e compras da prefeitura, mas ninguém apareceu. O valor inicialmente previsto para a obra é de R$ 75,6 mil. O prazo para contratação de uma empresa para realizar os reparos foi determinado pelo Ministério Público Estadual (MPE). De acordo com a Secretaria de Planejamento Urbano do município, um novo processo licitatório deverá ser aberto na semana que vem.

O prédio do museu, que está localizado na área central da cidade e é tombado pelo conselho municipal do patrimônio histórico, enfrenta vários problemas com vazamentos e goteiras, que ameaçam estragar o acervo. Ele foi construído em 1896, com projeto elaborado pelo arquiteto francês Victor Dubugras. Já funcionou como cadeia no andar inferior e como fórum no superior, onde eram realizados julgamentos de presidiários.

Museu tem acervo de cerca de quatro mil peças (Foto: Hevertom Talles)

Em meados de 1913, o edifício passou a ter uma nova função, a de abrigar a prefeitura e a câmara. Só em 1970, virou sede do Museu Histórico. O acervo é de, aproximadamente, quatro mil peças. Entre elas, objetos de personalidades de destaque em Franca e região durante a primeira metade do século XX.

O local recebe visitantes em uma frequência variada. Nos meses de férias escolares, são cerca de 700 a 800 mensais. No restante do ano, de 500 a 600. Além desses, há visitas programadas de escolas às terças e quintas. A agenda está lotada até novembro. Segundo a direção, a frequência cresceu após a tragédia do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que também acendeu um alerta para os problemas enfrentados por museus em todo o país, inclusive o de Franca.

Projeto parado

As goteiras e vazamentos são apenas um dos problemas enfrentados pelo prédio, que, há 22 anos, não recebe manutenções. A calçada também não está nas melhores condições. O terreno onde ele foi erguido pertence ao Governo do Estado. Existe um processo para doá-lo ao município, mas que se arrasta por anos.

A diretora do museu, Margarida Borges, que está no cargo desde 1988, explica que há um projeto de restauração total em andamento, bem como para a construção da reserva técnica, conjunto de salas para abrigar, em ambiente climatizado e com estandes para armazenamento, cerca de 90% dos objetos expostos.

O projeto, chamado Plano Museológico, foi elaborado em 2010, entregue em 2011, mas, desde então, não andou. Em 2017, a Associação Paulo Duarte, que tem sede no museu e que trabalha para o patrimônio histórico e paisagístico de Franca, retomou os trabalhos para que a reforma seja realizada. A previsão é que ela finalmente saia no ano que vem, para quando existe uma previsão, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Estado, de um repasse de R$ 775 mil.