Careta para o abuso

Projeto utilizou inteligência artificial para criar a personagem Fabi Grossi, que sofre e denuncia o vazamento de imagens íntimas

Talita Souza

 Foto acima: Fabi Grossi, personagem fictícia do Projeto Caretas (Divulgação)

“Vendo de fora, parece que não, mas é uma experiência indescritível. A gente vivencia tudo como se realmente estivesse acontecendo naquele momento. Todo o sentimento de medo, desespero e angústia que Fabi passa fez com que eu me sentisse parte da história.”, afirma a estudante de Franca-SP Ana Carolina Rodrigues, de 23 anos, sobre sua experiência com Fabi Grossi, do Projeto Caretas, uma criação independente, mas que conta com o apoio do UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Fabi parece real e deixa surpreso quem acessa a página do Facebook (Foto: Divulgação)

Fabi é uma personagem de ficção, e, como todo personagem, tem sua história, que tem início quando o ex-namorado vaza vídeos íntimos dos dois para os amigos, o que faz com que a garota sofra bullying e ameaças de colegas.

Criada pelo Projeto Caretas, o perfil do Facebook utiliza inteligência artificial para que os usuários da rede possam ter a chance de participar de uma experiência gratuita e exclusiva. Para iniciar uma conversa com Fabi, basta acessar a página do projeto e enviar uma mensagem no chat (facebook.com/ProjetoCaretas/).

Durante a conversa, a personagem conta o que está acontecendo, seus problemas com o ex, chegando até mesmo a mandar prints, fotos e áudios. A personagem interage o tempo todo com os usuários. A história se desenrola à medida em que as interações de ambas as partes aumentam.

Não parecia ficção

“Entrei em desespero durante a conversa. Queria ajudar a Fabi, mas não sabia como ou o que fazer. Foi como se eu esquecesse que aquilo era ficção. Vi várias conhecidas no lugar dela. Garotas que, por medo, não buscaram ajuda enquanto ainda era tempo”, conta outra estudante de Franca, Suelen Mendes, de 21 anos.

As mensagens não têm hora para chegar. É como se Fabi fosse uma pessoa real e tudo estivesse acontecendo de verdade. Mas não é. Ela é apenas uma personagem de ficção. Mas sua história é a realidade de muitas adolescentes, que já passaram ou passam pela mesma situação. Muitas dessas jovens, ao contrário da personagem, não tiveram com quem conversar e acabaram se entregando ao problema.

Ao fim da conversa, são informados números e estatísticas de pessoas que sofreram bullying por consequência de vazamento de vídeos e/ou imagens íntimas, ao ponto de levá-las a cometer suicídio.