Injeções de risadas

Lettícia Araújo Dias, voluntária do Projeto Andarilhos da Luz, de Franca-SP, visita hospitais para levar alegria e conforto aos pacientes

Reportagem: Heloísa Taveira Neves

Foto acima: Momento de comemoração do grupo (Divulgação)

Lettícia Araújo Dias, de 23 anos, cursa Engenharia Civil e trabalha na Universidade de Franca (Unifran). Mesmo com a rotina cheia, deixa uma parte do tempo para frequentar hospitais. E só quem a conhece bem sabe os motivos.

Já a Doutora Turquesa é uma médica que, claro, frequenta muito os hospitais. E, nas horas “livres”, vai a aulas de engenharia e faz alguns bicos na Universidade de Franca. Sempre com um sorriso estampado.

Você já deve ter adivinhado que quem criou a personagem foi a Lettícia. Foi num momento, contraditoriamente, triste, quando sofreu um acidente de moto em 2012. No consultório, folheando uma revista, leu uma reportagem sobre uma curiosa “Operação de Natal”, de um grupo chamado Andarilhos da Luz. Teve interesse em participar.

Doutora Turquesa posando para foto enquanto Doutora Zuluh prepara “laudo médico” (Foto: Acervo/Andarilhos da Luz)

Justamente num consultório nascia uma doutora. Lettícia, que persistiu na ideia, descobriu que o Andarilhos da Luz é um projeto social de Franca-SP que se dedica a visitar hospitais, principalmente os setores de pediatria e geriatria, onde os voluntários se vestem de palhaços para aliviar os efeitos dos tratamentos e situações típicas desses ambientes, como estresse e ansiedade, levando alegria, conforto e saúde emocional.

“Participar do grupo, pra mim, é como um refúgio. Eu amo ser a Doutora Turquesa. Quando sou ela, não me lembro da vida real. É um crescimento pessoal muito considerável”.

Durante cinco anos como voluntária, viveu inúmeras histórias. Lembra-se da última “palhaçada”, numa ocasião em que Doutora Turquesa e Doutor Zé Lopinho visitaram a geriatria. “Zé levou um pintinho de pelúcia verde”. Quando chegaram à sala, as mulheres que ali estavam aconselharam o personagem a não mais usar o brinquedo, que “não estava maduro” e, por isso, não serviria para nada. “Todos caíram na risada”.

Experiências como essa tornam a figura do palhaço encantadora para Lettícia. “Foi o despertar para a realização do projeto. Além disso, trouxe muitas amizades”. As visitas aos hospitais são feitas semanalmente, e com todos os cuidados necessários: carteira de vacinação atualizada, higiene e muito respeito e amor ao próximo.